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Cidades

Turistas gastam 38,4% mais no RN em 2026, aponta levantamento da Emprotur

Entre janeiro e julho de 2026, o registro aponta que turistas no RN gastam em média R$ 620,40, um aumento significativo em relação ao ano anterior  |  Reprodução: Internet

Publicado em 04/09/2026, às 09h34   Reprodução: Internet   Redação

O turismo do Rio Grande do Norte vive um momento de expansão no consumo dos visitantes. Entre janeiro e julho de 2026, o gasto médio dos turistas que estiveram no estado chegou a R$ 620,40, contra R$ 446,80 registrados no mesmo período de 2025.

A diferença representa um crescimento de 38,4% em apenas um ano. Os números fazem parte do Sistema de Inteligência Turística do RN (Sírio), da Empresa Potiguar de Promoção Turística (Emprotur), e indicam que o avanço não está restrito ao volume de visitantes.

O dinheiro deixado pelos turistas também aumentou, movimentando setores como hospedagem, alimentação, comércio, transporte e serviços.

Entre os visitantes nacionais, o crescimento foi mais moderado, mas também positivo. O gasto médio passou de R$ 449,54, em 2025, para R$ 480,27 em 2026, uma alta de 6,8%.

Os brasileiros representam a ampla maioria dos turistas que chegam ao Rio Grande do Norte neste ano. Segundo os dados do Sírio, eles correspondem a 93,65% dos visitantes. Entre os estrangeiros, argentinos e portugueses aparecem entre os principais mercados emissores, com participações de 3,84% e 1,12%, respectivamente.

Para o secretário de Turismo de Natal, Sanclair Solon, o aumento do consumo tem efeitos que ultrapassam diretamente a atividade turística.

“São números que a gente precisa comemorar, porque eles fomentam o turismo, mas também os investimentos em saúde e educação”, afirma.

Na avaliação do secretário, a maior circulação de recursos contribui para movimentar diferentes segmentos da economia potiguar. Ele também destaca que o desempenho tem sido percebido durante períodos tradicionalmente considerados de menor movimento.

“O que nós temos ouvido do setor de turismo é que a movimentação está muito boa, inclusive, na baixa estação. E as empresas estão atentas a esse movimento de maior gasto, entregando novas proposições e diferenciais para fazer com que esses recursos possam girar na economia”, acrescenta.

Entre os visitantes nacionais, o crescimento foi mais moderado, mas também positivo. O gasto médio passou de R$ 449,54, em 2025, para R$ 480,27 em 2026, uma alta de 6,8%.

Hospedagem concentra maior parte do consumo

A hospedagem continua sendo um dos principais destinos dos recursos deixados pelos visitantes no estado. Segundo George Costa, coordenador da Câmara Empresarial do Turismo (CET) da Fecomércio-RN, o consumo também apresenta reflexos importantes em alimentação e comércio.

De acordo com ele, o turista estrangeiro tende a apresentar uma participação relevante nos gastos com alimentação e hospedagem, especialmente porque costuma permanecer por mais tempo no destino.

Já os segmentos de passeios e transporte apresentam comportamento mais estável. “A maior parte dos gastos vai para a área de hospedagem. Além disso, também se observa um aumento de gastos com o comércio e a alimentação”, explica George Costa.

Aeroporto registra recorde de movimentação

O aumento do consumo ocorre paralelamente ao crescimento do fluxo de passageiros no estado. O Aeroporto Internacional de Natal registrou, no primeiro semestre de 2026, mais de 1,3 milhão de embarques e desembarques, segundo dados divulgados anteriormente.

O resultado foi o maior para um primeiro semestre desde o início das operações do terminal, em 2014. Na comparação com os seis primeiros meses de 2025, houve crescimento de 18%.

A movimentação também representa o maior volume registrado em um primeiro semestre por um aeroporto do Rio Grande do Norte desde 2002.

No mercado internacional, o desempenho também chama atenção. Entre janeiro e julho, 56.144 passageiros internacionais desembarcaram no Aeroporto Internacional de Natal. O resultado é o melhor para o período desde 2018 e representa alta de 12,6% em relação ao mesmo intervalo de 2025.

Para Raoni Fernandes, presidente da Emprotur, o cenário indica que o crescimento do turismo potiguar ainda pode avançar nos próximos anos.

Seguiremos em alta. Em 2026, somos o estado que mais cresce no Brasil, tanto no nacional quanto no internacional. Se os investimentos em promoção e as estratégias apresentadas e utilizadas pelo Governo, por meio da Emprotur, forem seguidas, esse crescimento tende a se manter pelo menos até 2030”, afirma.

Ocupação dos hotéis também avança

Outro indicador reforça o momento positivo do turismo no estado: a taxa de ocupação dos hotéis. Dados da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Rio Grande do Norte (ABIH-RN) mostram crescimento de 15% no primeiro trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior.

Janeiro apresentou a maior taxa, com 84% de ocupação, enquanto fevereiro registrou 71%. O presidente da ABIH-RN, Edmar Gadelha, avalia que o setor atravessa uma etapa de recuperação, impulsionada tanto pela melhoria da estrutura hoteleira quanto pelo avanço do turismo internacional.

“Hoje temos uma hotelaria mais qualificada, uma oferta maior, aumento da diária média em empreendimentos que passaram por requalificação e um crescimento muito significativo do turismo internacional”, afirma.

Apesar dos resultados, Gadelha ressalta que o desafio agora é transformar a recuperação em uma trajetória de crescimento contínuo. Para isso, aponta a necessidade de ampliar a oferta de voos, o que poderia contribuir para reduzir os preços das passagens, além de elevar os investimentos no setor.

O presidente da ABIH-RN, Edmar Gadelha, avalia que o setor atravessa uma etapa de recuperação, impulsionada tanto pela melhoria da estrutura hoteleira quanto pelo avanço do turismo internacional.

Bares e restaurantes enfrentam desafio de transformar fluxo em consumo

O aumento no número de visitantes e no gasto médio, entretanto, não significa que todos os segmentos estejam capturando esse crescimento da mesma maneira.

Para Thiago Machado, presidente da Abrasel no RN, bares e restaurantes precisam encontrar formas de transformar o fluxo turístico em maior faturamento e rentabilidade.

Ele explica que muitos visitantes chegam ao estado com roteiros previamente definidos, recomendações específicas de estabelecimentos e pacotes turísticos que já determinam parte do consumo.

Ao mesmo tempo, os empresários enfrentam custos elevados e consumidores mais atentos aos preços. “Temos, portanto, uma equação delicada: custos maiores, consumidores mais sensíveis a preço e empresas ainda carregando dívidas e pagamentos em atraso”, afirma.

Competição com outros destinos preocupa setor

Apesar dos indicadores positivos, representantes do segmento apontam que o Rio Grande do Norte ainda enfrenta obstáculos para ampliar sua participação no mercado turístico nacional.

Edmar Gadelha cita principalmente a concorrência com destinos como Bahia, Ceará, Pernambuco e Alagoas. Na avaliação dele, não basta ampliar a malha aérea em termos percentuais: é necessário aumentar também o número absoluto de voos e garantir tarifas mais competitivas.

Outro ponto levantado é o volume de recursos destinados à promoção turística. Segundo o presidente da ABIH-RN, o RN investiu cerca de R$ 8 milhões em 2025, além de aproximadamente R$ 3 milhões provenientes de emenda de bancada.

Gadelha afirma que estados concorrentes trabalham com valores significativamente maiores, chegando, em alguns casos, a investimentos até dez vezes superiores aos do Rio Grande do Norte.

Diversificação é apontada como caminho para reduzir sazonalidade

Para o setor hoteleiro, um dos principais desafios é diminuir a dependência do chamado turismo de sol e mar. A estratégia seria ampliar a oferta de produtos e experiências capazes de atrair visitantes em diferentes épocas do ano.

A diversificação poderia contribuir para manter os hotéis ocupados por mais meses, além de ampliar a receita gerada pela atividade turística.

“O que não podemos é depender exclusivamente do turismo de sol e mar. Precisamos diversificar para permitir a ocupação dos hotéis durante mais meses do ano, aumentando a receita gerada pelo turismo”, finaliza Edmar Gadelha.

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