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Publicado em 17/01/2026, às 16h34 Imagem: Magnus Nascimento Mayane Lins
As corridas por aplicativo ficaram significativamente mais caras no Brasil em 2025. Dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgados pelo IBGE, apontam que o serviço teve alta média de 56,08% ao longo do ano, a maior variação anual já registrada para esse tipo de transporte. O aumento ficou muito acima da inflação oficial do país, que fechou em 4,26%, e passou a pesar de forma mais evidente no orçamento de quem utiliza esse meio de deslocamento com frequência, especialmente em grandes cidades. Em Natal, usuários também relatam perceber o encarecimento das viagens.
O avanço expressivo está relacionado a mudanças na dinâmica de preços adotada pelas plataformas, que varia conforme a demanda e a disponibilidade de motoristas. Em horários de pico ou em períodos de grande procura, os valores tendem a subir, refletindo diretamente no custo final da corrida. Além disso, o aumento dos gastos operacionais, como combustível, manutenção dos veículos e seguros, contribui para a elevação das tarifas cobradas aos passageiros.
Outro fator que ajuda a explicar a disparidade de preços entre cidades está relacionado às características locais. Em capitais com menor número de motoristas disponíveis, trânsito mais intenso e maior tempo médio de deslocamento, as tarifas tendem a subir com mais frequência. O custo do veículo, exigências regulatórias e o perfil da demanda em cada região também influenciam diretamente o valor das corridas.
O transporte por aplicativo é altamente sensível à realidade econômica e operacional de cada cidade. Por isso, o índice nacional divulgado pelo IBGE funciona como uma média, que não reflete integralmente os picos registrados em centros urbanos com maior pressão de custos e demanda concentrada.
Isaac Pereira, 58 anos, motorista que trabalha em mais de uma plataforma, afirma não ter percebido qualquer repasse direto do aumento das tarifas para quem está ao volante. Segundo Isaac, todos os custos seguem sendo assumidos exclusivamente pelos motoristas. “O carro é nosso, assim como todas as despesas. Combustível, pneus, documentação, tudo sai do nosso bolso. As plataformas não entram em nada disso”, relata. Para ele, o maior peso hoje vem do preço do combustível, que além de elevado, apresenta variações frequentes em Natal.
Entre os passageiros, o impacto já é sentido no dia a dia. A estudante Fernanda Martins, de 25 anos, conta que se surpreendeu com os valores cobrados nos últimos meses. “De dezembro para cá subiu muito. Um trajeto que eu faço com frequência, que não passava de R$ 21, apareceu por quase R$ 40, e nem era horário de pico”, diz. Diante disso, ela passou a mudar a forma de uso do serviço. “Agora eu comparo os aplicativos para ver qual fica mais em conta. Está muito caro. Só vale a pena quando dá para dividir a corrida com alguém”, afirma.
As próprias plataformas reconhecem essa dinâmica. Em nota, Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), empresa que representa a Uber e 99, informou que os preços das corridas variam conforme fatores como tempo de viagem, distância, demanda local e estratégias comerciais adotadas em cada mercado. A entidade afirma que as empresas buscam equilibrar os interesses de usuários e motoristas parceiros.
A Amobitec também faz ressalvas à metodologia utilizada pelo IBGE, alegando falta de transparência sobre quais empresas são consideradas na pesquisa e qual o peso de cada uma no cálculo final do índice.
Informações do Jornal Exame e Tribuna do Norte