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Publicado em 24/07/2026, às 11h28 Reprodução Lavínia Manso
O avião da Voepass que caiu em Vinhedo, no interior de São Paulo, em agosto de 2024, não deveria ter decolado nas condições em que foi liberado para o voo, segundo o relatório final do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa). A aeronave operava com o sistema de proteção contra o acúmulo de gelo inoperante e acabou caindo após enfrentar condições severas de formação de gelo, provocando a morte de 62 pessoas.
O ATR-72, de matrícula PS-VPB, realizava o trajeto entre Cascavel, no Paraná, e Guarulhos, em São Paulo, quando encontrou as condições adversas durante o voo de cruzeiro. O gelo acumulado nas superfícies da aeronave comprometeu o desempenho do avião, que perdeu velocidade, entrou em estol aerodinâmico e perdeu o controle antes de cair sobre uma área residencial de Vinhedo.
A investigação concluiu que a aeronave foi despachada mesmo com uma pane conhecida no sistema Airframe De-Icing, responsável pela proteção contra o acúmulo de gelo. Para o Cenipa, a decisão contrariou os requisitos operacionais, já que o avião não deveria ter sido autorizado a voar caso houvesse possibilidade de enfrentar condições de formação de gelo.
Antes da divulgação oficial do documento, familiares das vítimas tiveram acesso ao relatório e relataram revolta e indignação com as conclusões. A tragédia matou 58 passageiros e quatro tripulantes e se tornou um dos acidentes aéreos mais graves da história recente do país.
O Cenipa reforçou que suas investigações têm caráter preventivo e não têm como objetivo atribuir culpa ou responsabilização criminal. O trabalho busca identificar fatores que contribuíram para o acidente e formular recomendações para aprimorar a segurança da aviação civil.
O relatório, no entanto, apontou que a aeronave foi liberada para o voo mesmo com o sistema de proteção contra gelo indisponível, em uma decisão considerada incompatível com os requisitos operacionais diante da possibilidade de formação de gelo durante a rota.
A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) informou que iniciará uma análise técnica detalhada das conclusões e das recomendações do relatório relacionadas às competências do órgão. A agência também destacou o caráter preventivo das investigações conduzidas pelo Cenipa.
A Voepass afirmou que permaneceu solidária às famílias desde o acidente e que colaborou de forma transparente com o Cenipa e com as autoridades públicas durante a apuração.
A companhia também declarou que, em mais de 30 anos de atuação na aviação brasileira, nunca havia enfrentado uma situação semelhante e afirmou ter mantido, ao longo de sua história, procedimentos voltados à segurança, à capacitação e à orientação das tripulações.