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TJRN identifica comando oculto em laudo para tentar influenciar análise feita por inteligência artificial

TJRN identifica comando oculto em laudo para tentar influenciar análise feita por inteligência artificial  |  Foto: Sérgio Henrique Santos/Inter TV Cabugi

Publicado em 13/09/2026, às 16h15   Foto: Sérgio Henrique Santos/Inter TV Cabugi   Mayane Bezerra

Um comando escondido em um laudo pericial apresentado em um processo chamou a atenção da 3ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte (TJRN). A instrução era direcionada a ferramentas de inteligência artificial e buscava fazer com que sistemas de IA concordassem com as conclusões apresentadas pelo perito.

O conteúdo não aparecia durante a leitura convencional do documento. O texto havia sido inserido com letras brancas sobre um fundo também branco, tornando a mensagem imperceptível visualmente. A instrução, no entanto, podia ser identificada ao copiar o conteúdo do arquivo para outro programa.

A existência do comando foi comunicada ao gabinete da juíza Érika Tinôco por um advogado. A partir da informação, foram realizados testes que confirmaram a presença da instrução no documento.

O método é conhecido como “prompt injection”, técnica que utiliza comandos inseridos em arquivos ou outros conteúdos para tentar interferir na resposta de sistemas de inteligência artificial. Embora oculto para quem visualizasse normalmente o laudo, o texto poderia ser processado por uma ferramenta de IA ao analisar o conteúdo do arquivo.

Laudo não foi usado para fundamentar decisão

Apesar da identificação do comando, o laudo questionado não foi utilizado como fundamento para o voto no processo. A decisão dos julgadores já estava baseada em outra perícia que integrava os autos.

O episódio ocorre em meio à ampliação do uso de inteligência artificial como ferramenta de apoio no Poder Judiciário. Em junho, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) aprovou orientações de segurança relacionadas ao uso desses sistemas, incluindo medidas para reduzir riscos provocados por comandos ocultos em documentos processuais.

As diretrizes estabelecem, entre outros pontos, a necessidade de supervisão humana, transparência e mecanismos de segurança no uso da inteligência artificial pelo Judiciário.

O caso identificado no Rio Grande do Norte deverá ser apurado para esclarecer quem inseriu o comando no laudo, de que forma isso ocorreu e quais medidas poderão ser adotadas.

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