Cidades
Publicado em 20/08/2026, às 06h36 - Atualizado às 09h22 Kleber Teixeira/Inter TV Cabugi Lavínia Manso
O Hospital Regional Alfredo Mesquita Filho, em Macaíba, na Grande Natal, registrou um surto de bactérias multirresistentes entre maio e julho deste ano, com 16 casos de infecção ou colonização identificados em 15 pacientes.
Oito pessoas morreram durante o período. Relatório interno apontou indícios de transmissão cruzada dentro da unidade e identificou falhas que podem ter contribuído para a disseminação dos microrganismos.
A investigação foi conduzida pela Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) e pelo Núcleo de Segurança do Paciente (NSP). O episódio foi classificado no documento como “surto de infecção relacionada à assistência à saúde por microrganismos multirresistentes”.
Apesar do número de mortes, a Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) afirma que não é possível estabelecer uma relação direta entre as bactérias e os óbitos. Segundo a pasta, os pacientes apresentavam diferentes condições de saúde, o que exige uma avaliação individual de cada caso.
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Dos 16 registros identificados, quatro ocorreram em pacientes que chegaram ao Hospital Alfredo Mesquita vindos de outras unidades já infectados ou colonizados. Os outros 12 casos foram relacionados à assistência prestada dentro do próprio hospital.
O relatório apontou uma evolução “compatível com a ocorrência de transmissão cruzada”. A secretária adjunta de Saúde do RN, Leidiane Queiroz, também confirmou a ocorrência de transmissão entre pacientes na unidade.
Entre os principais microrganismos identificados estão as bactérias Acinetobacter baumannii, Pseudomonas aeruginosa e Klebsiella pneumoniae, conhecidas pela resistência a diferentes tipos de antibióticos.
A apuração identificou uma série de fatores que podem ter favorecido a disseminação das bactérias. Entre eles estão o déficit de profissionais, a sobrecarga de trabalho, a ausência de leitos específicos para isolamento e falhas nos procedimentos de limpeza e desinfecção.
Também foram apontados o compartilhamento de materiais entre pacientes, dificuldades na comunicação entre as equipes e baixa adesão de alguns profissionais aos protocolos de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs). O documento ainda cita problemas estruturais, como presença de umidade e mofo em enfermarias.
Após a identificação do surto, o hospital adotou medidas de contenção, incluindo reforço na limpeza, ampliação do uso de Equipamentos de Proteção Individual, acompanhamento diário dos exames, restrição de transferências e bloqueio parcial de leitos.
De acordo com a Sesap, a situação está atualmente controlada. Dois pacientes relacionados ao episódio ainda permaneciam internados, sendo que um deles estava na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), recebendo tratamento com antibióticos.
A direção do Hospital Regional Alfredo Mesquita Filho informou que não se pronunciaria sobre o caso e que seguirá o posicionamento apresentado pela Sesap.
Hospital tem posição estratégica na rede pública do RN
Com quase quatro décadas de atuação, o Hospital Regional Alfredo Mesquita Filho (HRAMF), em Macaíba, ocupa uma posição estratégica na rede pública de saúde do Rio Grande do Norte. Integrante do Sistema Único de Saúde (SUS) e administrado pelo Governo do Estado, o hospital atende pacientes de diferentes municípios e exerce papel importante na descentralização dos serviços de saúde na Região Metropolitana de Natal.
Localizado no bairro Ferreiro Torto, a cerca de 20 quilômetros do centro da capital potiguar, o HRAMF foi inaugurado em 27 de outubro de 1987. A unidade funciona como hospital geral e conta com maternidade própria, oferecendo atendimento principalmente nas áreas clínica e obstétrica, além de serviços especializados que foram incorporados ao longo dos anos.
A ampliação da oferta de procedimentos tem contribuído para distribuir melhor a demanda da rede estadual e reduzir a pressão sobre hospitais de referência em Natal, especialmente em áreas que concentram atendimentos de maior complexidade.
Hospital passou por modernização
Nos últimos anos, o Alfredo Mesquita Filho recebeu investimentos destinados à modernização da estrutura e à melhoria das condições de atendimento. As intervenções contemplaram diferentes áreas do hospital e envolveram tanto a estrutura física quanto os equipamentos utilizados na assistência.
Melhorias realizadas:
As intervenções têm como objetivo proporcionar um ambiente mais adequado para pacientes e profissionais, além de ampliar a segurança e a qualidade dos serviços prestados pela unidade.
Atendimento de média complexidade
O HRAMF oferece atendimento clínico e obstétrico de média complexidade, além de procedimentos cirúrgicos e cuidados intensivos. A unidade também conta com maternidade, ampliando a capacidade de atendimento à população da região.
A atuação regional do hospital é importante para o funcionamento da rede estadual porque permite que pacientes tenham acesso a determinados serviços mais próximos de seus municípios de origem.
Essa descentralização também ajuda a organizar o fluxo de pacientes regulados pela Secretaria de Estado da Saúde Pública (SESAP), evitando a concentração de todos os atendimentos nos grandes hospitais localizados na capital.
UTI foi criada durante a pandemia
Durante a pandemia de Covid-19, o Hospital Regional Alfredo Mesquita Filho também passou a desempenhar uma função importante no enfrentamento da emergência sanitária.
Em julho de 2020, entrou em funcionamento uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) exclusiva para pacientes com Covid-19, instalada em uma estrutura anexa ao hospital. Inicialmente, o setor contava com 10 leitos e era administrado pela empresa terceirizada Avante Social.
A partir de 30 de novembro de 2020, a gestão da UTI passou para o próprio Hospital Regional Alfredo Mesquita Filho.
Com a redução da demanda provocada pela pandemia, os leitos foram posteriormente destinados a outras finalidades. Em agosto de 2021, a estrutura passou a atender pacientes adultos em geral.
Ortopedia amplia perfil de atendimento
Uma das mudanças mais importantes na estrutura assistencial do hospital ocorreu em 7 de fevereiro de 2025, quando o Governo do Rio Grande do Norte inaugurou o setor de Ortopedia do HRAMF.
A implantação do serviço teve como um dos principais objetivos ajudar a reduzir a demanda sobre o Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, em Natal, principal referência estadual para atendimentos de trauma de alta complexidade.
Com a nova estrutura, pacientes que necessitam de procedimentos ortopédicos de menor complexidade passaram a contar com uma alternativa dentro da própria rede regional.
Cirurgias começaram em fevereiro de 2025
As primeiras cirurgias ortopédicas no novo setor foram realizadas em 25 de fevereiro de 2025, após o início da estruturação do serviço.
Inicialmente, o atendimento era destinado a pacientes regulados pela SESAP e provenientes de seis municípios da Região Metropolitana:
A implantação do serviço representou uma mudança importante na organização da assistência ortopédica da rede estadual, especialmente para os casos classificados como de baixa e média complexidade.
Serviço alcança 78 municípios
A abrangência da Ortopedia do HRAMF foi ampliada posteriormente. Atualmente, o serviço recebe pacientes das 1ª, 3ª e 5ª Regiões de Saúde do Rio Grande do Norte.
Com essa expansão, a unidade passou a ter capacidade de atender pacientes de 78 municípios em procedimentos ortopédicos de baixa e média complexidade.
A ampliação fortalece a estratégia de regionalização do atendimento do SUS no estado, permitindo que procedimentos sejam realizados fora da capital e aproximando os serviços especializados dos municípios do interior e da Região Metropolitana.
Hospital tem papel estratégico no SUS
A trajetória do Hospital Regional Alfredo Mesquita Filho mostra a transformação de uma unidade inaugurada há quase 40 anos em um equipamento cada vez mais integrado à rede estadual de saúde.
Além de atender diretamente a população de Macaíba, o hospital recebe pacientes encaminhados de diferentes municípios e contribui para a distribuição da demanda dentro do sistema público.
A oferta de serviços clínicos, obstétricos, cirúrgicos, de terapia intensiva e, mais recentemente, de ortopedia amplia o papel do hospital na assistência regional.
A estratégia também beneficia outras unidades da rede, já que a descentralização de procedimentos de baixa e média complexidade pode reduzir a procura por hospitais de referência em Natal, permitindo que essas unidades concentrem esforços nos casos que exigem atendimento de maior complexidade.