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Saúde do RN cria comitê após aumento expressivo de casos de ciguatera

Dados apontam que intoxicações por ciguatera já superam os registros do ano anterior, levantando preocupações sobre a saúde pública  |  Reprodução

Publicado em 21/07/2026, às 06h11   Reprodução   Lavínia Manso

O Governo do Rio Grande do Norte criou, nesta segunda-feira (20), um comitê de acompanhamento para monitorar e combater o avanço dos casos de ciguatera no estado. A medida foi adotada após o Rio Grande do Norte registrar 141 ocorrências de intoxicação alimentar até 11 de junho de 2026, número 60,2% superior aos 88 casos contabilizados durante todo o ano de 2025.

A decisão foi tomada durante uma reunião realizada na Secretaria de Agricultura e Pesca do Rio Grande do Norte (Sape), com a participação de representantes da Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap), da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e de entidades ligadas ao setor pesqueiro.

O encontro teve como objetivo articular ações conjuntas para acompanhar o crescimento das ocorrências e definir estratégias de enfrentamento à intoxicação. Segundo a subsecretária estadual da Pesca, Erilânia Marreiro, a atuação integrada entre os órgãos será necessária diante do aumento expressivo dos registros no estado.

Intoxicação já supera registros de todo o ano passado

Os dados da Sesap apontam que o número de casos registrados no primeiro semestre de 2026 já ultrapassou o total contabilizado durante os 12 meses do ano anterior. O alerta da pasta considera as ocorrências registradas até 11 de junho.

A ciguatera é provocada pelo consumo de peixes contaminados pela ciguatoxina, uma neurotoxina produzida por microalgas marinhas. A substância se acumula principalmente em espécies predadoras, que podem transmitir a intoxicação aos seres humanos após serem consumidas.

Entre os peixes mais associados aos casos registrados no Rio Grande do Norte estão arabaiana, bicuda, também conhecida como barracuda, cioba, dourado, galo-do-alto, pargo-preto, pescada-branca, robalo, sirigado e badejo.

Sintomas podem aparecer até 48 horas após consumo

De acordo com a Sesap, os primeiros sinais da intoxicação podem surgir poucos minutos depois da ingestão do pescado contaminado. Em alguns casos, no entanto, os sintomas podem levar até 48 horas para aparecer.

Os principais sintomas incluem dor abdominal, náuseas, vômitos, diarreia, coceira intensa, dores no corpo, dormência ou formigamento na língua e nas extremidades, dor de cabeça, fadiga, fraqueza, tontura e gosto metálico na boca.

A intoxicação também pode provocar inversão térmica, alteração que faz a pessoa sentir o quente como frio e o frio como quente. Segundo a Sesap, quadros mais graves podem evoluir para complicações que exigem atendimento médico imediato.

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