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Publicado em 23/01/2026, às 12h00 Reprodução internet Redação
Um homem de 58 anos, de nacionalidade espanhola e morador da praia da Pipa, em Tibau do Sul, está em isolamento no Hospital da Polícia Militar, em Natal, após exames laboratoriais indicarem a possível presença do superfungo Candida auris.
O caso mobiliza autoridades de saúde do Rio Grande do Norte, que aguardam a confirmação por um laboratório de referência em São Paulo.
O paciente permaneceu 15 dias internado na Unidade Mista de Saúde de Tibau do Sul antes de ser transferido, no dia 16 de janeiro, para a capital.
Como o caso foi identificado
Segundo a Prefeitura de Tibau do Sul, o paciente tem doença cardíaca crônica e deu entrada na unidade no dia 1º de janeiro para tratar complicações relacionadas ao coração.
Após apresentar febre, exames foram realizados e, no dia 20 de janeiro, o Laboratório Central do RN (Lacen) apontou a suspeita da presença do Candida auris — um fungo considerado ultrarresistente a medicamentos e que exige protocolos rigorosos de controle hospitalar.
As amostras foram encaminhadas para um laboratório de referência em São Paulo, conforme orientação do Ministério da Saúde. Ainda não há prazo para o resultado definitivo.
Monitoramento preventivo em Tibau do Sul
A prefeitura informou que, durante a permanência do paciente na Unidade Mista, não houve detecção do fungo no ambiente hospitalar nem em outros pacientes.
Mesmo assim, de forma preventiva:
- Profissionais que tiveram contato com o paciente estão sendo monitorados
- Protocolos sanitários foram reforçados
- A unidade segue orientações da vigilância em saúde
O município ressaltou que, até o momento, não é possível determinar onde ocorreu o contato do paciente com o fungo.
Isolamento no Hospital da PM em Natal
No Hospital da Polícia Militar, o paciente permanece em leito de isolamento. Apenas equipes de saúde mantêm contato direto com ele, utilizando equipamentos de proteção individual. O homem não possui familiares no estado.
A Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) realiza o rastreamento do caso para tentar identificar quando e onde a possível contaminação ocorreu.
Colonização, não infecção
O médico infectologista Eduardo Teodoro, que acompanha o caso no Hospital da PM, explicou que o paciente não apresenta infecção causada pelo fungo, mas sim um quadro de colonização.
“A infecção acontece quando o micro-organismo está causando doença no paciente. Já a colonização ocorre quando o fungo está presente na pele ou em algum local do corpo, mas sem provocar doença”, afirmou.
“Quando há infecção, fazemos o tratamento antifúngico. Quando é colonização, a principal medida é a prevenção, para evitar a disseminação dentro do ambiente hospitalar. É exatamente o que está sendo feito”, completou.
Por que o Candida auris preocupa as autoridades
O Candida auris é motivo de alerta em hospitais de todo o mundo por apresentar alta resistência aos medicamentos tradicionais e por se disseminar com facilidade em ambientes hospitalares, especialmente entre pacientes com sistema imunológico fragilizado.
Por isso, mesmo na suspeita, os protocolos de isolamento e controle são imediatamente adotados até a confirmação laboratorial.
Principais riscos da contaminação por Candida auris e como é feito o tratamento
O Candida auris é considerado hoje um dos microrganismos hospitalares mais preocupantes do mundo pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e por centros de controle de doenças, como o CDC dos Estados Unidos.
O alerta não se deve apenas à presença do fungo no corpo humano, mas à capacidade de ele causar surtos hospitalares difíceis de controlar e infecções graves com poucas opções terapêuticas.
Por que o Candida auris é tão perigoso
- Alta resistência aos antifúngicos mais usados na prática clínica
- Capacidade de sobreviver por longos períodos em superfícies hospitalares
- Facilidade de transmissão por contato com equipamentos, leitos e profissionais
- Dificuldade de identificação em exames laboratoriais comuns
- Potencial para causar surtos dentro de UTIs e enfermarias
Diferente de outros fungos do gênero Candida, o auris consegue persistir no ambiente, o que exige protocolos rígidos de desinfecção e isolamento.
O que pode acontecer quando há infecção (e não apenas colonização)
Quando o fungo deixa de estar apenas presente na pele ou mucosas e passa a causar doença, os quadros podem ser graves, especialmente em pacientes já debilitados:
- Infecção na corrente sanguínea (candidemia)
- Infecções em feridas cirúrgicas e cateteres
- Comprometimento de órgãos internos
- Sepse fúngica
- Alto risco de mortalidade em pacientes críticos
Pacientes com imunidade baixa, uso prolongado de antibióticos, cateteres venosos, ventilação mecânica ou internação prolongada em UTI estão entre os mais vulneráveis.
Por que o tratamento é um desafio
O tratamento é complexo porque o Candida auris frequentemente apresenta resistência simultânea a múltiplas classes de antifúngicos.
Em muitos casos:
- Antifúngicos comuns não fazem efeito
- É necessário uso de medicamentos de última linha (equinocandinas)
- Alguns casos exigem combinação de medicamentos
- O tratamento pode ser prolongado e monitorado com exames frequentes
Mesmo assim, há registros de cepas resistentes inclusive às equinocandinas, o que reduz ainda mais as opções terapêuticas.
Quando é colonização, o foco é outro
Nos casos de colonização — como no paciente do RN — o fungo está presente, mas não causa doença.
Nessas situações, a prioridade não é medicar, e sim:
- Isolamento rigoroso do paciente
- Uso obrigatório de EPIs pela equipe
- Desinfecção intensiva do ambiente
- Monitoramento de outros pacientes e profissionais
- Rastreio epidemiológico para evitar surtos
O maior risco da colonização é a disseminação silenciosa dentro do hospital, não a condição clínica imediata do paciente.
Por que hospitais tratam a suspeita como emergência
Mesmo sem confirmação laboratorial definitiva, a simples suspeita de Candida auris já ativa protocolos máximos porque:
- Um único caso pode originar um surto hospitalar
- A contaminação ambiental é difícil de eliminar
- O controle depende de ação rápida e rigorosaÉ por isso que autoridades de saúde tratam cada caso suspeito com alto grau de vigilância, mesmo quando o paciente não apresenta sintomas de infecção.