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Cidades

RN reforça preparação para impactos do El Niño e risco de seca severa

Reunião com Governo Federal discute estratégias para mitigar os impactos do fenômeno climático no semiárido potiguar  |  Heros Lucena

Publicado em 25/08/2026, às 06h07   Heros Lucena   Lavínia Manso

O Governo do Rio Grande do Norte iniciou a articulação de medidas para reduzir os possíveis impactos do fenômeno El Niño 2026/2027, diante da previsão de um cenário de chuvas abaixo da média, temperaturas elevadas e maior risco de queimadas na Região Nordeste. A preparação foi discutida durante uma reunião com representantes do Governo Federal, em Brasília, com foco principalmente nas áreas do semiárido potiguar.

O encontro integrou os “Diálogos Federativos, Emergências Climáticas, Região Nordeste” e reuniu secretários estaduais e representantes da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República e da Casa Civil. A iniciativa busca fortalecer a cooperação entre os governos e antecipar ações para enfrentar possíveis períodos de estiagem prolongada.

O secretário estadual da Agricultura, da Pecuária e da Pesca, Guilherme Saldanha, destacou a necessidade de planejar as medidas antes do agravamento das condições climáticas.

Nos reunimos em um momento importante junto com o Governo Federal, já pensando nos impactos que o El Niño pode provocar aqui no Rio Grande do Norte”, afirmou.

Estado destaca avanços na segurança hídrica

Segundo Saldanha, o Rio Grande do Norte já mantém um grupo voltado ao acompanhamento das questões climáticas e dos efeitos da seca. A intenção agora é integrar as ações existentes e elaborar estratégias específicas para diminuir os prejuízos provocados pelo fenômeno, principalmente no semiárido.

O secretário estadual do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos, Paulo Varela, avaliou que o Estado possui atualmente uma estrutura mais preparada para enfrentar períodos de estiagem. 

Hoje, estamos muito mais preparados do que já estivemos antes. Agora temos a transposição do rio São Francisco, o Complexo Oiticica e estamos finalizando a Adutora do Seridó. Portanto, avançamos muito em relação à segurança hídrica”, disse Varela.

Apesar dos investimentos, o secretário ressaltou que os efeitos de uma seca não se limitam ao abastecimento. A estiagem pode atingir a agricultura, o meio ambiente e outras áreas que dependem diretamente das condições climáticas e da disponibilidade de água.

El Niño aumenta preocupação com queimadas

O cenário previsto também preocupa pelas possíveis consequências ambientais. A combinação entre pouca chuva e temperaturas elevadas pode favorecer a propagação de incêndios, além de agravar processos de desertificação e afetar a vegetação, a fauna e a biodiversidade.

O diretor-geral do Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte (Idema), Werner Farkatt, defendeu o acompanhamento permanente das condições climáticas e a integração entre os órgãos estaduais.

Esse diálogo precisa estar muito integrado entre as secretarias. No Idema, por exemplo, temos diversas unidades de conservação no Estado e, diante da previsão de um El Niño de forte intensidade, podemos enfrentar um período preocupante, com baixa quantidade de chuva e excesso de calor”, explicou.

O Instituto de Gestão das Águas do Estado do Rio Grande do Norte (Igarn), a Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (Caern), a Secretaria de Agricultura e o Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte (Idema) estão entre os órgãos que podem atuar de forma integrada diante dos possíveis impactos.

Nova reunião deve definir ações conjuntas

O monitoramento também deverá contribuir para a prevenção de queimadas e para a proteção das unidades de conservação. A expectativa é que a antecipação das medidas permita reduzir os impactos sobre as comunidades e setores econômicos mais vulneráveis à estiagem.

Entre os possíveis efeitos do El Niño estão a redução dos volumes de chuva, o aumento das temperaturas e o agravamento da aridez em áreas do semiárido. O cenário pode gerar consequências para o abastecimento, a produção agrícola, o meio ambiente e a saúde da população.

Uma nova reunião nacional está prevista para a próxima semana, com participação de representantes dos governos estaduais e federal. O objetivo será aprofundar a análise das projeções climáticas e alinhar medidas conjuntas para preparar o Rio Grande do Norte e outros estados nordestinos para os possíveis efeitos do El Niño.

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TagsGoverno do Rio Grande do NorteImpactos climáticosEl niño 2026/2027