Cidades
Publicado em 27/10/2025, às 10h39 Reprodução/Freepik Dani Oliveira
O Rio Grande do Norte alcançou um feito que confirma a liderança feminina na ciência em cenário nacional. Segundo o Anuário Estatístico de Propriedade Industrial de 2024, divulgado pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), o RN possui o maior percentual de participação feminina em pedidos de patentes do Brasil. As inventoras representam 49% dos pedidos de patentes depositados por residentes, um número que contrasta fortemente com a média nacional, de apenas 17%.
Esse resultado reflete um movimento consistente de ampliação da presença feminina na ciência, na tecnologia e na inovação. No cenário global, a Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI) aponta que, entre 1999 e 2020, apenas cerca de 36% dos pedidos de patente internacionais tiveram ao menos uma inventora, com tendência de crescimento gradual.
No Brasil, a proporção de pedidos feitos por mulheres passou de 13% em 2015 para 17% em 2024
O estado de São Paulo lidera em números de pedidos de patentes realizados por mulheres, mas o Rio Grande do Norte é o destaque em representatividade proporcional. Isso reflete um ambiente mais igualitário no campo da inovação, onde mulheres assumem posições de protagonismo tanto em universidades e centros de pesquisa quanto em startups e projetos tecnológicos independentes.
Em nove anos, os depósitos realizados por mulheres no Brasil cresceram mais de 560%, e o avanço do RN supera a tendência. Especialistas apontam que políticas públicas voltadas à educação, iniciativas de inclusão tecnológica e o fortalecimento de redes de pesquisa regionalizadas têm contribuído para esse cenário.
Presença feminina no cenário mundial
Segundo o relatório da OMPI The Global Gender Gap in Innovation and Creativity (2023), a presença feminina na inovação cresce de forma constante no mundo, mas ainda enfrenta barreiras estruturais. O caso potiguar é um exemplo de sucesso e mostra que a mudança é possível. O estado conseguiu reduzir drasticamente a desigualdade de gênero no sistema de propriedade industrial, chegando a uma quase paridade entre inventores homens e mulheres, um feito inédito no Brasil.
A evolução nacional também se deve a iniciativas como a criação, pelo INPI, de uma seção dedicada à análise de gênero no sistema de propriedade industrial, o que permite acompanhar com regularidade os indicadores e planejar ações afirmativas.