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Cidades

RN esconde registros de milhares de anos gravados em pedras; conheça os sítios arqueológicos do estado

Explorando a rica história do Rio Grande do Norte através de registros de pinturas e gravuras rupestres que datam de milênios  |  Marcos Nascimento / Seridó UNESCO Global Geopark

Publicado em 26/09/2026, às 10h00   Marcos Nascimento / Seridó UNESCO Global Geopark   Lavínia Manso

Muito antes do surgimento das cidades e da chegada dos colonizadores europeus, diferentes grupos humanos já ocupavam áreas que hoje pertencem ao Rio Grande do Norte. Parte dessa história permanece registrada em paredões, abrigos e formações rochosas espalhadas pelo interior potiguar, onde pinturas e gravuras rupestres ajudam pesquisadores a compreender ocupações ocorridas há milhares de anos.

O Rio Grande do Norte possui diversos sítios arqueológicos cadastrados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). De acordo com o órgão, enquanto no litoral potiguar predominam sítios de superfície, o interior concentra uma grande quantidade de arte rupestre, principalmente na região do Seridó.

Entre pinturas, gravuras, restos de antigas ocupações e sepultamentos, alguns sítios preservam evidências de presença humana com mais de 9 mil anos e ajudam a reconstruir parte da história dos primeiros grupos que viveram na região.

Seridó concentra importantes registros rupestres

A região do Seridó é um dos principais destaques quando o assunto é arqueologia no Rio Grande do Norte. Segundo o Iphan, inúmeros sítios arqueológicos vêm sendo estudados na área, onde podem ser encontradas diferentes pinturas e gravuras rupestres.

Parte desse patrimônio está localizada dentro do território do Geoparque Seridó, que abrange cerca de 2,8 mil quilômetros quadrados e reúne seis municípios: Acari, Carnaúba dos Dantas, Cerro Corá, Currais Novos, Lagoa Nova e Parelhas. Desde 2022, a área integra a Rede Mundial de Geoparques da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

Entre os locais de destaque está o Geossítio Xique-Xique, em Carnaúba dos Dantas. Nos paredões de quartzito podem ser observados registros rupestres que fazem parte do patrimônio arqueológico da região.

Divulgação/Geoparque Seridó

O próprio Iphan cita os sítios Xique-Xique I e II entre os locais que receberam ações voltadas à preservação e à aproximação do público com esse patrimônio, incluindo a implantação de estruturas para visitação e iniciativas de educação patrimonial.

Sítio em Parelhas guarda vestígios de mais de 9 mil anos

Outro exemplo impressionante está em Parelhas. Próximo à Barragem Boqueirão fica o Sítio Arqueológico Mirador, integrante do Geoparque Seridó e conhecido pela presença de pinturas rupestres nas cores vermelha, amarela e branca.

De acordo com a página oficial de turismo do município, os registros incluem representações de seres humanos, cervídeos, felinos e aves. As pinturas são classificadas dentro da chamada Tradição Nordeste, Subtradição Seridó.

Divulgação/Visite Parelhas

As descobertas no local, no entanto, não se restringem às pinturas. Também foram encontrados vestígios de uma necrópole indígena infantil, além de ossos de roedores, contas produzidas a partir de ossos e conchas e fragmentos de carvão.

Segundo as informações oficiais do município, alguns desses materiais permitiram obter datações superiores a 9,4 mil anos, evidenciando a antiguidade das ocupações humanas naquela região.

Pedra do Sorriso foi utilizada como abrigo

O Mirador também chama atenção pela própria formação rochosa. O local é conhecido como Pedra do Sorriso e apresenta marcas provocadas pela ação natural do tempo sobre as rochas.

A formação teria sido utilizada como abrigo por populações antigas, segundo o material turístico oficial de Parelhas. A presença de câmaras mortuárias e dos registros rupestres encontrados na área reforça a importância arqueológica do local.

Esses vestígios fazem parte de um conjunto maior de evidências da ocupação humana no Seridó. Para os pesquisadores, pinturas, objetos, sepultamentos e outros materiais encontrados em sítios arqueológicos ajudam a compreender aspectos da organização, dos costumes e da relação desses grupos com o território.

RN ainda pode esconder novos sítios arqueológicos

Apesar dos locais já conhecidos, parte desse patrimônio ainda continua sendo descoberta. O Iphan afirma que pesquisas arqueológicas realizadas durante processos de licenciamento ambiental têm possibilitado a identificação de novos sítios no Rio Grande do Norte.

Quando materiais arqueológicos são encontrados, eles podem ser encaminhados para instituições responsáveis pela guarda e pesquisa. Universidades também participam de estudos que ajudam a ampliar o conhecimento sobre as ocupações humanas ocorridas no território potiguar.

Pela legislação brasileira, descobertas de bens arqueológicos devem ser comunicadas ao Iphan. Cabe ao instituto realizar o reconhecimento e o cadastro desse patrimônio, que é protegido em âmbito federal.

Registros ajudam a contar uma história anterior ao RN que conhecemos

As pinturas e gravuras preservadas nas pedras funcionam como testemunhos de épocas muito anteriores à formação do atual Rio Grande do Norte. Os sítios arqueológicos representam fontes de informação sobre grupos humanos que ocuparam o território por milhares de anos.

No Geoparque Seridó, essa relação entre história humana e paisagem natural é especialmente visível. Alguns geossítios reúnem, no mesmo espaço, elementos arqueológicos, geológicos e paleontológicos. Em Cerro Corá, por exemplo, a região de Serra Verde também possui vestígios associados à megafauna que viveu há milhares de anos.

Preservar esses locais é fundamental para que as marcas deixadas por populações antigas continuem disponíveis para pesquisa e para as próximas gerações. Mesmo após milhares de anos, parte da história do território potiguar segue registrada nas pedras do interior do estado.

Classificação Indicativa: Livre


TagsGeoparque SeridóPinturas rupestresSítios arqueológicos