Cidades
Publicado em 22/01/2026, às 07h03 Reprodução/Raimundo Brasil Malu Machado
O Rio Grande do Norte consolidou, entre 2024 e 2025, um avanço significativo na área de transplantes. O destaque absoluto ficou para os procedimentos de medula óssea, que registraram um crescimento de 12,72% no último ano, saltando de 165 para 186 intervenções.
Os dados, levantados pela Central Estadual de Transplantes do RN, revelam uma evolução ainda mais impressionante quando analisado o recorte histórico: desde 2019, quando foram realizados 97 procedimentos, o número de transplantes de medula quase dobrou no estado.
De acordo com a nefrologista Rogéria Nunes, coordenadora da Central vinculada à Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap), esse crescimento não é fruto do acaso, mas sim de um investimento na rede de assistência.
Aumentamos o número de hospitais que fazem transplante de medula. Antes era apenas o Hospital Rio Grande e, a partir do ano passado, a Liga Contra o Câncer e a Casa de Saúde São Lucas também iniciaram os procedimentos. Além disso, houve um aumento real no número de leitos dedicados a esses pacientes”, explica a coordenadora.
O Hospital Rio Grande segue como a principal referência, sendo responsável por 154 dos transplantes realizados em 2025. Em um comunicado à imprensa, a unidade informou que, no acumulado entre 2017 e 2025, já realizou 949 transplantes, sendo uma parcela expressiva desses procedimentos executada por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).
Atualmente, 16 pessoas aguardam na fila pelo transplante de medula óssea no RN. Rogéria Nunes detalha que existem dois caminhos para a cura:
É como se fosse uma loteria. O paciente precisa encontrar alguém que seja muito compatível. Quanto mais pessoas estiverem registradas, maior a probabilidade de encontrar alguém compatível e essa medula chegar a tempo”, ressalta a médica.
No Rio Grande do Norte, o processo começa no Hemonorte, onde o voluntário coleta uma amostra de sangue para cadastro. Caso a compatibilidade seja confirmada em qualquer lugar do país — já que o sistema é nacional —, o doador realiza o procedimento sob anestesia, e o material coletado é infundido no receptor de forma semelhante a uma transfusão de sangue.
Para além dos hospitais, o suporte humano é fundamental. Rosali Cortez, presidente da associação Hatmo-RN (Humanização e Apoio ao Transplantado de Medula Óssea do RN), define o ato de doação como a linha tênue entre a vida e a morte.
A Hatmo-RN, que completa 18 anos de existência, atua no acolhimento de pacientes e familiares que muitas vezes vêm do interior do estado ou de outras regiões. A entidade mantém duas casas de apoio, oferece enxovais, cestas básicas e conta com uma equipe multidisciplinar.
Para Rosali, o aumento nos números reflete uma maior conscientização da sociedade. “Tem aumentado o número de cadastros, o número de transplantes e, consequentemente, a sobrevida dos pacientes”, afirma.
O balanço total de transplantes de órgãos e tecidos no estado em 2025 fechou em 426 procedimentos, um aumento de 36,53% em comparação aos 312 realizados em 2019.
O transplante de medula óssea lidera o ranking estadual, seguido por outras especialidades:
Especialistas lembram que, enquanto a medula e o rim podem ser doados em vida, a doação de múltiplos órgãos em caso de falecimento depende exclusivamente da autorização familiar, reforçando a importância de comunicar em vida o desejo de ser doador.