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Cidades

Quem são os potiguares na lista dos mais de 130 cordelistas da cultura do RN?

O cordel no RN tem raízes profundas e a nova antologia busca conectar o passado com o presente da literatura popular no estado  |  Elí Bernardo, BNEWS RN

Publicado em 01/11/2026, às 08h00   Elí Bernardo, BNEWS RN   Elí Bernardo

O Rio Grande do Norte concentra mais de 130 artistas que compõem a história do cordel no Estado. Os nomes foram catalogados pela Academia Norte-rio-grandense de Literatura de Cordel (ANLIC-RN). A antologia das personalidades que compõem esse gênero da literatura foi registrada em uma obra organizada pelo presidente da ANLIC-RN, Nando Poeta, intitulada

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O cordelista e organizador do livro, deu entrevista ao portal BNews RN sobre a coleção dos artistas que representam o estado nesse contexto do cordel e sua historicidade.

"Uma das primeiras preocupações nossas era vencer o apagamento da nossa história. Tinha muitos poetas que estavam no esquecimento, incluindo poetas que tiveram uma trajetória muito forte na nossa cidade e no Estado, nas regiões do Seridó, Currajó, Mossoró. Foram vários poetas que até hoje ninguém conhece e a ideia da Academia foi assumir esse compromisso de resgatar a memória".

Além deixar registrado os nomes do centenário que faz a literatura de cordel perdurar em Natal e no RN, a Academia também traz ao público história e obras desses artistas.

"Ao mesmo tempo que a gente resgata a memória desses poetas, a gente reafirma também que hoje, na nossa realidade, muitos outros carregam esse bastão e continuam aquela trajetória. Então essa é uma antologia que tenta fazer com que o público de hoje possam conhecer um pouco os personagens como também os seus textos que estavam em esquecimento", destacou Nando Poeta.

São personagens notórios, acadêmicos e patronos da própria Academia Norte-Rio-Grandense de Literatura de Cordel, como Luís da Câmara Cascudo, por exemplo.

"Nós temos um patrono, Câmara Cascudo, temos um patrono Veríssimo de Melo, nós temos o Gutenberg Costa que também é um estudioso do Cordel. Também tem a turma da Xilogravura, as ilustrações, que são uma marca do Cordel aqui no Nordeste. Então tem vários e muitos outros poetas que contribuíram e contribuem com essa poética cordeliana aqui na nossa cidade, no nosso estado e no Brasil" conta Nando.

O Vozes, Versos e Memória, é uma antologia, que reúne 132 poetas, numa obra marcante com 480 páginas que vai ser lançada agora no dia 14 de novembro.

De acordo com o organizador da obra, a catalogação dos artistas do cenário potiguar teve uma década de pesquisa.

"O núcleo que abraçou essa ideia de formar a antologia, passou 10 anos trabalhando nessa obra. Entre eles estão pesquisadores, poetas que já vinham fazendo seus estudos, que a gente inclusive coloca nas referências desse trabalho aqui. Então a gente avançou no sentido de agrupar todas as produções, todas as colaborações de muitos outros que vieram nesse trabalho", detalhou o artista ao portal BNews RN.

Quem são as 132 personalidades do cordel potiguar?

História do Cordel no RN

Um cordel é nada mais que uma poesia apresentada em pequenos folhetos, abordando autos, histórias e historietas contadas e cantadas.

A literatura de cordel, é considerada um gênero e abrange ainda pequenas novelas, contos fantásticos, moralizantes ou de fundo vagamente histórico, de maneira a agradar o gosto popular. 

Falar de cordel é falar de Natal do século passado, quando a cidade era rota de muitos poetas que por aqui passavam e em seus versos retratavam as belezas da terra. Mas esses versos registrados em papel começaram a ser popularmente conhecidos na Paraíba, apesar de terem origem e referencias dos folhetos da Europa.

"O cordel no Brasil, na verdade, tem uma origem na Paraíba, no final do século XIX, quando poetas paraibanos foram para o Recife, que era o centro mais desenvolvido da época, para produzir os seus textos naqueles folhetos. A partir da Paraíba, indo para o Pernambuco e vindo para cá, o RN era uma passagem bastante frequente de poetas da Paraíba que se hospedavam em Nova Cruz e Santo Antônio", contextualiza Nando Poeta.

Depois de invadir o Seridó Potiguar, o cordel chegou em Natal.

"Muitos cordéis daqui tiveram repercussão nacional, como o poema do Pavão Misterioso, de José Camelo de Melo, um dos cordéis que tem mais de 100 anos, que inspirou peça de teatro, que inspirou música, quer dizer, José Camelo chegou a morar aqui no Rio Grande do Norte, ali em Santo Antônio e Nova Cruz", lembra o presidente da ANLIC.

O Romance do pavão misterioso está disponível na Biblioteca Virtual da Université de Poitiers.

"Então, os poetas de fora vieram e trouxeram a ideia do cordel para cá, e os poetas daqui abraçaram essa ideia e se desenvolveram através do repente e principalmente do cordel escrito. Muita coisa foi produzida aqui no Rio Grande do Norte. Em 1975, por exemplo, foi construída uma associação de poetas repentistas e cordelistas em Curras Novas, e essa associação cumpriu o papel de realizar encontros, jornadas literárias, congressos, e que ajudou muito a propagação", conta o pesquisador e cordelista Nando Poeta.

Segundo o relato do organizador do livro que trata sobre os potiguares no cordel, pesquisadores europeus, principalmente franceses, que estiveram no Brasil na década de 1960, associaram o formato pequeno dos folhetos brasileiros às publicações populares europeias e passaram a usar a expressão literatura de cordel.

"Os pesquisadores europeus, principalmente da França, quando estiveram aqui na década de 60, ao perceber que o formato físico, que era aquele cordel 11 para
o 16, aquele pequenininho, que parecia muito com as publicações que se tinham na Europa, começaram a apelidar o nosso folheto, o nosso verso de literatura de cordel", descreveu Nando.

A quem estiver interessado em saber mais sobre a antologia do cordel no RN é só comparecer ao lançamento, no dia 14 de novembro, na Estação do Cordel, na Cidade Alta.

Mais informações:

Classificação Indicativa: Livre


TagsRio grande do norteCordelAcademia norte-rio-grandense de literatura de cordelNando poeta