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Cidades

Preços disparam: Aplicativos de corrida sobem bem acima da inflação e RN vai sentir o peso no bolso; veja média do aumento

A tarifa dinâmica e os custos operacionais podem ser fatores que explicam o aumento expressivo nos aplicativos de corrida  |  Imagem: Alan Mazzocco / Shutterstock

Publicado em 14/01/2026, às 10h24   Imagem: Alan Mazzocco / Shutterstock   Redação

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O custo das corridas por aplicativo no Brasil registrou uma escalada histórica em 2025 e passou a pesar de forma ainda mais significativa no orçamento da população.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o transporte por aplicativo acumulou alta média de 56,08% no ano, a maior variação anual já registrada pelo índice.

O aumento ficou muito acima da inflação oficial do país, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que encerrou 2025 em 4,26%.

Em capitais e cidades com forte demanda, como Natal, a percepção de que “andar de aplicativo ficou mais caro” acompanha fielmente os números do levantamento, especialmente entre quem depende do serviço diariamente para trabalhar ou estudar.

Tarifa dinâmica e mudança no modelo explicam disparada

Para o economista Helder Cavalcanti, conselheiro do Conselho Regional de Economia do Rio Grande do Norte (Corecon-RN), a alta expressiva está diretamente ligada a alterações na metodologia e no modelo de negócios das plataformas.

A tarifa dinâmica, que ajusta preços em tempo real com base na demanda, passou a ser considerada no cálculo do IPCA, aumentando a volatilidade dos preços. Ou seja, a lei da oferta e da procura passa a determinar os valores”, afirma.

Segundo ele, a combinação entre horários de pico, maior procura e oferta limitada de motoristas acaba elevando rapidamente o valor das corridas em momentos críticos do dia.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o transporte por aplicativo acumulou alta média de 56,08% no ano, a maior variação anual já registrada pelo índice.

Custos dos motoristas pressionam tarifas

Outro fator decisivo apontado pelo economista é o aumento dos custos operacionais enfrentados por quem dirige para os aplicativos.

“Os custos com combustível, manutenção e seguros pressionam as plataformas a repassar esses valores aos usuários”, explica.

Helder Cavalcanti avalia ainda que, após anos praticando preços subsidiados para conquistar mercado, as empresas entraram em uma nova fase.

“Agora, as plataformas ajustam preços para garantir rentabilidade, inclusive se prevalecendo da maior procura em determinados horários”, completa.

Motoristas dizem que ganho não acompanhou a alta

Na ponta, quem dirige afirma que o aumento percebido pelos passageiros não se converteu em melhora proporcional nos ganhos. A motorista Regina Linhares, de 40 anos, que atua exclusivamente pela Uber, relata que não houve repasse direto.

“Nada foi repassado no aplicativo da Uber”, diz.

Segundo ela, os custos subiram de forma significativa, principalmente com combustível.

“Eu rodo com etanol. A gasolina e o etanol aumentaram, então teve aumento de custo”, afirma. Para manter a renda, o esforço precisa ser maior.

“É horrível, porque a gente tem que fazer todo um recálculo e trabalhar um pouquinho mais para poder ter lucro”, resume.

Com reajustes muito acima da inflação geral, o transporte por aplicativo deixa de ser apenas uma alternativa prática e passa a representar um desafio financeiro crescente para usuários e motoristas em todo o país.

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