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Publicado em 19/10/2025, às 15h33 Taxas de erosão nas praias do RN superam a média global, afetando ecossistemas e turismo. - Reprodução: Tribuna do Norte BNews Natal Redação
As praias do Rio Grande do Norte estão enfrentando um grave processo de erosão costeira, com recuos médios entre 1,2 e 1,6 metro por ano, valores significativamente superiores à média global de 0,5 metro anual observada em praias arenosas.
Quem faz o alerta é o coordenador do Laboratório de Geoprocessamento e professor de geologia da UFRN, Venerando Amaro.
Essa taxa acelerada de erosão compromete ecossistemas costeiros, afeta comunidades litorâneas e representa uma ameaça crescente à infraestrutura urbana e ao turismo, setores fundamentais para a economia do estado.
A situação da erosão costeira é especialmente alarmante em algumas das principais praias do litoral potiguar. Regiões como São Miguel do Gostoso, Caiçara, Touros, Galinhos, Macau e Areia Branca apresentam taxas de erosão extremamente elevadas, variando entre 5 e 6 metros por ano, números muito acima da média estadual.
De acordo com o professor Amaro, um estudo aprofundado sobre o fenômeno, incluindo esses dados, será publicado em breve.
Há aproximadamente uma década, a região de São Miguel era considerada relativamente estável do ponto de vista costeiro, com poucos indícios de avanço do mar. No entanto, esse cenário mudou drasticamente nos últimos anos.
“A gente já vem recebendo de alguns desses condomínios horizontais, que chegam muito próximo do mar, já tem infraestrutura destruída, já tem residências destruídas”, destacou o professor.
A Prefeitura de São Miguel do Gostoso afirma que o município possui características que minimizam os impactos das marés altas: a faixa de areia nas praias urbanas pode chegar a 300 metros da água às edificações, o que impede que grandes danos atinjam construções.
Além disso, a prefeitura conta que não foram registrados impactos recentes relacionados ao avanço do mar e que a gestão das praias é feita desde 2018 por meio do TAGP (Termo de Adesão à Gestão das Praias), em parceria com a SPU.
A posição geográfica do Rio Grande do Norte também contribui significativamente para a intensificação da erosão costeira. Situado a cerca de cinco graus ao sul do Equador, o estado é diretamente impactado por fortes energias climáticas que se direcionam para a região, agravando o desgaste das praias e a vulnerabilidade do litoral potiguar.