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Publicado em 20/05/2026, às 11h50 Reprodução internet Redação
Um medicamento experimental desenvolvido para tratar a apneia obstrutiva do sono — distúrbio frequentemente associado ao ronco intenso e interrupções da respiração durante a noite — apresentou resultados considerados promissores em um novo ensaio clínico realizado nos Estados Unidos.
Chamado de AD109, o remédio é apontado pelos pesquisadores como o primeiro tratamento oral criado especificamente para combater a apneia do sono. Segundo os responsáveis pelo estudo, os resultados obtidos já podem abrir caminho para uma possível aprovação comercial a partir de 2027.
Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (18) na revista científica especializada American Journal of Respiratory and Critical Care Medicine.
A pesquisa acompanhou 646 participantes diagnosticados com apneia obstrutiva do sono durante um período de seis meses.
O trabalho foi conduzido por cientistas da Universidade de Pittsburgh em parceria com a Apnimed, empresa responsável pelo desenvolvimento do medicamento.
Segundo os pesquisadores, o AD109 conseguiu reduzir parcialmente os episódios de interrupção respiratória noturna em parte significativa dos pacientes analisados.
Apesar de os resultados ainda serem considerados iniciais, especialistas avaliam que a pesquisa representa um avanço importante no tratamento da apneia do sono, especialmente para pacientes que têm dificuldade de adaptação aos métodos tradicionais.
O que é apneia do sono
A apneia obstrutiva do sono é um distúrbio caracterizado por interrupções repetidas da respiração durante o sono. Em muitos casos, o problema é acompanhado por ronco intenso, sensação de sufocamento durante a madrugada e sonolência excessiva ao longo do dia.
O quadro acontece quando há relaxamento excessivo dos músculos da garganta, bloqueando parcialmente a passagem de ar.
Sintomas mais comuns da apneia do sono:
- ronco alto e frequente
- pausas na respiração durante o sono
- sensação de sufocamento à noite
- sono não reparador
- cansaço excessivo durante o dia
- dificuldade de concentração
- dores de cabeça ao acordar
- irritabilidade e alterações de humor
Muitas pessoas convivem com o problema sem diagnóstico, já que os episódios geralmente acontecem enquanto o paciente está dormindo.
Por que tratar o ronco e a apneia é importante
Especialistas alertam que o ronco constante não deve ser encarado apenas como um incômodo sonoro. Em muitos casos, ele pode ser um sinal de problemas respiratórios mais graves, como a própria apneia do sono.
Quando não tratada, a condição pode aumentar o risco de diversas complicações de saúde, como:
- hipertensão arterial
- doenças cardiovasculares
- arritmias cardíacas
- infarto
- AVC
- diabetes tipo 2
- perda de memória
- fadiga crônica
- depressão e ansiedade
- maior risco de acidentes por sonolência
Estudos apontam ainda que pacientes com apneia severa podem apresentar redução significativa na qualidade de vida e no desempenho cognitivo.
Tratamentos atualmente utilizados contra ronco e apneia
Embora o AD109 ainda esteja em fase de desenvolvimento, atualmente já existem diferentes formas de tratamento para ronco e apneia do sono.
A escolha depende da gravidade do quadro e das características de cada paciente.
Principais tratamentos disponíveis hoje:
- uso do CPAP (aparelho de pressão de ar durante o sono)
- perda de peso
- mudança de posição ao dormir
- redução do consumo de álcool
- aparelhos intraorais
- fisioterapia respiratória
- cirurgias nas vias aéreas
- tratamento de desvio de septo
- controle da obesidade
O CPAP, considerado atualmente o tratamento padrão para casos moderados e graves, funciona enviando fluxo contínuo de ar para manter as vias respiratórias abertas durante o sono.
Medicamento pode representar alternativa menos invasiva
Pesquisadores acreditam que o AD109 pode representar uma alternativa mais prática para pacientes que não conseguem aderir ao uso do CPAP ou de outros métodos tradicionais.
Apesar do entusiasmo em torno da descoberta, os cientistas ressaltam que ainda serão necessários novos estudos para confirmar a eficácia e a segurança do medicamento a longo prazo antes da aprovação definitiva para comercialização.
A expectativa, no entanto, é que o avanço abra uma nova etapa no tratamento da apneia do sono, condição que afeta milhões de pessoas em todo o mundo.