Cidades
Publicado em 08/05/2026, às 07h01 Reprodução Malu Machado
O Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, maior unidade de saúde e referência em traumas no Rio Grande do Norte, vive dias de paralisação e sofrimento para pacientes e funcionários.
De acordo com informações do Correio de Hoje, os dois elevadores que atendem o setor do pronto-socorro Clóvis Sarinho estão quebrados desde a última terça-feira (5), o que resultou na suspensão imediata de cirurgias eletivas, adiamento de procedimentos de urgência e na transferência compulsória de ao menos seis pacientes para outras unidades da rede.
A ausência dos equipamentos impede o acesso regular ao centro cirúrgico, localizado no primeiro andar. Sem os elevadores, o hospital entrou em regime de exceção, utilizando acessos improvisados e áreas externas para o deslocamento de macas, expondo pacientes a condições inadequadas de transporte.
A falta de manutenção dos equipamentos se reflete no drama de famílias que aguardam por procedimentos críticos. É o caso da agricultora Maria José, que relatou ao Correio de Hoje que seu pai, um idoso de 98 anos, está há dois dias com a cirurgia suspensa devido à impossibilidade de ser levado ao bloco cirúrgico.
Servidores da unidade relataram que, diante da pane, imagens registraram pacientes sendo conduzidos por escadas e áreas descobertas do hospital.
Esta não é uma crise isolada. Em dezembro do ano passado, o Walfredo Gurgel passou pela mesma situação, com falhas em três ocasiões diferentes que deixaram a unidade sem elevadores por mais de dez dias. Naquela época, o transporte de macas por escadas já havia gerado denúncias e revolta.
O secretário estadual de Saúde Pública, Alexandre Motta, detalhou a situação técnica das máquinas. Segundo ele, o hospital possui quatro elevadores, mas os dois que atendem especificamente o Clóvis Sarinho estão inoperantes.
Esses do Clóvis Sarinho é que estão com a sua atividade suspensa. Um deles já está descartado pela empresa que faz a manutenção, dizendo que não tem condições de manutenção, e isso está em processo de licitação. O outro que quebrou essa semana existe uma previsão por parte da empresa que faz a manutenção de entrega da peça que faltava, agora no sábado, e restabelecer o seu fluxo”, afirmou.
Para tentar manter o hospital funcionando, a Sesap organizou um fluxo de emergência:
“Pacientes que tenham fratura de membros superiores, se tiverem condições de andar, vão subir pela escada. Se não tiverem condições de andar, existe um fluxo criado por ambulância”, explicou Alexandre Motta sobre o uso de veículos para levar pacientes entre diferentes entradas da unidade.
A crise no Walfredo revela uma fragilidade em série na rede de saúde. O Hospital Deoclécio Marques, que passou a absorver a demanda, está com seu aparelho de raio-x quebrado há mais de um mês, obrigando pacientes a serem levados até Macaíba para realizar exames.
Sobre o tomógrafo do Deoclécio, Motta afirmou: “A tomografia de tórax é que não é tão precisa do ponto de vista da imagem óssea, e aí, por isso, ela é encaminhada para o outro hospital da rede, que vai fazer esse suporte”.
O secretário admitiu que o impacto é direto na capacidade de atendimento da rede, que opera acima do limite.
O Walfredo tem 300 leitos e já chegou a atender 400 pessoas internadas. Criou-se uma gestão do fluxo, garantiu-se com isso o atendimento e, obviamente, fazendo com que o impacto seja mínimo”
Ele concluiu citando que o alívio só virá com a entrega de novos leitos no Hospital Metropolitano e nas futuras unidades municipais de Natal e São Gonçalo do Amarante, reduzindo a carga sobre a atual estrutura.