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Cidades

O que está por trás do calor e da falta de chuvas que preocupam e agravam a crise hídrica no RN?

A crise hídrica no RN se agrava com reservatórios abaixo de 40%, afetando o abastecimento e a agricultura na região  |  Canindé Soares

Publicado em 08/01/2026, às 12h43   Canindé Soares   Elí Bernardo

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A Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (EMAPRN) divulgou nesta semana a previsão climática para o 1º trimestre deste ano, que compreende os meses de janeiro, fevereiro e março. A expectativa é de chuvas na categoria normal a abaixo do normal, segundo boletim emitido pelo setor.

"Essa primeira quinzena de janeiro ainda será com poucas chuvas no Estado. A situação deverá melhorar na segunda quinzena, principalmente depois do dia 20. Nós devemos ter chuvas se espalhando em praticamente todo o interior do Estado, inclusive aqui em Natal. As temperaturasainda vão ficar altas agora na primeira quinzena e deverá dar uma amenizada aí na segunda quinzena com a chegada das chuvas", explicou o chefe do núcleo de meteorologia da Emparn.

A previsão para janeiro é de pouca chuva na primeira quinzena, devido a atuação da Oscilação Intrassazonal Madden-Julian (OMJ) de forma desfavorável, condição que deve mudar na segunda quinzena, favorecendo a ocorrência de chuvas.

O documento aponta também que janeiro e fevereiro são meses da pré-estação chuvosa, onde atuam sistemas meteorológicos transientes de baixa previsibilidade podem ou não trazer chuvas. O volume depende do posicionamento e das condições atmosféricas.

De acordo com o boletim climático, durante o mês de fevereiro, a condição favorecerá a ocorrência de chuvas nas primeiras semanas do mês. Para a segunda quinzena, a ocorrência de chuvas vai depender da atuação da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT).

Para março, considerado o mês mais chuvoso do primeiro trimestre do ano, as chuvas dependem diretamente das condições termodinâmicas dos Oceanos Pacífico e Atlântico.

O que influencia no clima mais quente e sem chuvas ?

Segundo o chefe de meteorologia da Emparn, as condições de chuvas dependem
muito das condições dos oceanos, do Oceano Pacífico, Oceano Atlântico Norte e Sul.

No momento a La Niña, fenômeno climático natural de resfriamento das águas está atuando no Oceano Pacífico Equatorial. "Isso é bom para chuva aqui no Nordeste. Essa La Niña deverá permanecer pelo menos até meados de março, início de abril. Do lado oposto do continente, o oceano Atlântico Sul ainda está um pouquinho mais frio que o Atlântico Norte, o que dá um indicativo de que a estação chuvosa aqui no Nordeste, no período de fevereiro a maio, será com chuvas de normal, um pouquinho abaixo do normal, por enquanto" explicou Gilmar.

Seca severa x crise hídrica

O cenário climático se agrava na região seridó e oeste potiguar, diante da escassez de chuvas, que se mantém desde 2025. O que fez secar ainda mais os reservatório do Rio Grande do Norte, atualmente abaixo dos 40% para abastecimento da população.

"O monitoramento das secas mostra que diferentes regiões apresentam seca hílica, seca agrícola, seca pluviométrica, ou seja, já atingiu todos os cenários. Hoje, nós temos cenário de seca extrema no Seridó, em praticamente todos os
municípios, e seca grave nos municípios da região do Noroeste, na região central, agreste, em parte do litoral com seca moderada. Mas praticamente todo o
estado está numa situação de crise seca".

Ainda segundo o pesquisador: "o quadro só deverá mudar se realmente nós tivermos chuvas de normal a acima do normal. Nós estamos com 38% de capacidade de abastecimento, no máximo. É o pior cenário nos últimos quatro anos.
Se nós não tivermos chuvas, será difícil nos recuperarmos e enfrentaremos um recuo
expressiva nos nossos reservatórios durante 2026".

Classificação Indicativa: Livre


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