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Cidades

MPRN aciona Justiça para evitar colapso em maternidade que atende 37 municípios no RN

Ação civil pública do MPRN visa assegurar continuidade dos serviços obstétricos na Maternidade Santa Luiza de Marilac, em Pau dos Ferros  |  Reprodução: MPRN

Publicado em 29/01/2026, às 16h34   Reprodução: MPRN   Jussier Lucas

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O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) ajuizou uma ação civil pública com pedido de tutela antecipada para garantir a continuidade dos serviços obstétricos da Maternidade Santa Luiza de Marilac, em Pau dos Ferros, no Alto Oeste potiguar.

A medida é direcionada contra o Estado do RN e os municípios de Água Nova, Encanto, Francisco Dantas, Pau dos Ferros, Rafael Fernandes, Riacho de Santana e São Francisco do Oeste.

A ação busca obrigar os entes públicos a cumprirem obrigações financeiras e operacionais previstas em um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), firmado para assegurar o funcionamento de 12 leitos obstétricos e do centro obstétrico da unidade, que atende gestantes de 37 municípios da 6ª Região de Saúde.

No pedido de urgência, o MPRN requer a regularização imediata dos repasses financeiros em atraso, além da disponibilização de médicos obstetras e pediatras para a manutenção do atendimento, sob pena de multa diária em caso de descumprimento.

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Falhas financeiras e ausência de médicos colocam atendimento em risco

De acordo com a 2ª Promotoria de Justiça de Pau dos Ferros, os repasses pactuados no TAC deixaram de ser realizados a partir de março de 2025, tanto por parte dos municípios quanto do Estado. A inadimplência comprometeu diretamente a capacidade de funcionamento da maternidade.

Além das pendências financeiras, o Ministério Público aponta falhas operacionais atribuídas ao Estado, como a interrupção no envio das escalas de médicos obstetras pelo Hospital Regional Dr. Cleodon Carlos de Andrade. Também foi identificada a ausência recorrente de pediatras plantonistas, situação que levou à transferência de recém-nascidos por falta de assistência especializada.

Na ação, o MPRN destaca que cabe ao Estado, enquanto gestor regional do Sistema Único de Saúde (SUS), garantir a alocação de recursos humanos e financeiros, inclusive de forma subsidiária, diante das lacunas deixadas por municípios que utilizam o serviço, mas não integram o polo passivo da ação por limitações territoriais de competência.

Para o órgão ministerial, a omissão dos entes federativos viola o direito fundamental à saúde e os princípios da continuidade e eficiência do serviço público. A interrupção dos atendimentos obstétricos é classificada como um risco concreto à vida de gestantes e recém-nascidos de toda a região.

Além das medidas emergenciais, a ação também solicita que os municípios apresentem dados atualizados sobre partos realizados, nascidos vivos, transferências e a situação do acompanhamento pré-natal, permitindo o monitoramento da rede de assistência materno-infantil.

MPRN realiza visita técnica à maternidade

Na manhã desta quinta-feira (29), integrantes da 2ª Promotoria de Justiça de Pau dos Ferros realizaram uma visita técnica à Maternidade Santa Luiza de Marilac. A atividade integrou a segunda edição do projeto Café com o Ministério Público.

Durante a visita, os representantes do MPRN vistoriaram as instalações da unidade e dialogaram com a direção da maternidade, que informou acompanhar atentamente os desdobramentos da ação judicial. O Ministério Público reforçou que seguirá atuando para garantir a manutenção dos serviços obstétricos e a segurança da população atendida pela maternidade.

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