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Cidades

Interior do RN pode perder até 18% da renda sem valorização de benefícios sociais, aponta estudo da USP

Interior do RN pode perder até 18% da renda sem valorização de benefícios sociais, aponta estudo da USP  |  Imagem: Reprodução

Publicado em 17/10/2026, às 18h07   Imagem: Reprodução   Mayane Bezerra

O interior do Rio Grande do Norte está entre as regiões do Brasil que podem sofrer os maiores impactos econômicos caso aposentadorias e benefícios sociais deixem de receber reajustes acima da inflação. Um estudo do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades (Made), da Universidade de São Paulo (USP), aponta que a renda agregada dos municípios potiguares fora das regiões metropolitanas poderia ficar entre 17% e 18% abaixo do cenário de manutenção dos ganhos reais.

O levantamento, divulgado nesta semana, analisa a importância de aposentadorias, do Bolsa Família e do Benefício de Prestação Continuada (BPC) para a economia de municípios do interior do país.

Segundo a pesquisa, esses recursos não representam apenas uma fonte de renda para as famílias beneficiadas. O dinheiro também movimenta supermercados, farmácias, pequenos estabelecimentos comerciais e serviços, contribuindo para a manutenção de empregos e da atividade econômica local.

Rio Grande do Norte está entre os estados mais afetados

O estudo aponta que o interior do RN, do Amapá e do Piauí apresenta os maiores impactos estimados, com diferenças de 17% a 18% na renda total entre os cenários analisados.

Em Amazonas, Sergipe e Pernambuco, a redução projetada fica próxima de 15%. Já Ceará, Maranhão, Alagoas e Bahia apresentam perdas estimadas entre 10% e 13%.

Para chegar aos resultados, os pesquisadores compararam a evolução real dos benefícios entre 2022 e 2025 com um cenário semelhante ao período de 2019 a 2022, quando não houve ganhos reais do salário mínimo.

Na média dos municípios do interior brasileiro, a ausência de valorização dos benefícios poderia deixar a renda agregada entre 6,8% e 10,8% abaixo do patamar projetado com reajustes superiores à inflação.

Os percentuais representam simulações econômicas, e não perdas de renda já registradas nos municípios.

Benefícios podem representar metade da renda das famílias mais pobres

Dos 5.569 municípios considerados pelo levantamento, aproximadamente 4 mil estão fora das regiões metropolitanas. Nessas localidades, a participação das transferências públicas na economia pode ser o dobro da observada nos grandes centros urbanos.

O estudo também aponta que aposentadorias e programas sociais podem representar até 50% da renda de famílias com rendimento de até 1,5 salário mínimo por pessoa.

Essa dependência faz com que eventuais mudanças no valor dos benefícios tenham efeitos que ultrapassam os beneficiários diretos, atingindo também comerciantes, prestadores de serviços e trabalhadores.

Estudo aponta risco de aumento da pobreza

As simulações indicam ainda que a ausência de ganhos reais nos benefícios entre 2022 e 2025 poderia ter levado aproximadamente 2,7 milhões de pessoas à pobreza em municípios fora das regiões metropolitanas. Desse total, cerca de 2,4 milhões poderiam ter entrado em situação de extrema pobreza.

Em números absolutos, a Bahia apresentaria o maior aumento estimado, com até 336 mil pessoas a mais em situação de pobreza. São Paulo aparece com 263 mil e Minas Gerais com 251 mil. Maranhão, Pará e Ceará também registrariam mais de 200 mil pessoas afetadas cada um.

De acordo com a análise do Made-USP, a manutenção do poder de compra dos benefícios sociais e previdenciários tem efeitos sobre a redução da pobreza e a sustentação das economias locais, especialmente em municípios onde essas transferências representam uma parcela expressiva da renda da população.

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