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Cidades

Incêndio de nível máximo devasta complexo residencial; já são dezenas de mortos e centenas de desaparecidos; veja vídeo chocante

Autoridades investigam o incêndio e prendem suspeitos, enquanto especialistas pedem reformas urgentes nas normas de segurança habitacional  |  O uso de andaimes de bambu, uma técnica tradicional, agravou a propagação das chamas, levando a uma tragédia sem precedentes. - Reprodução internet

Publicado em 27/11/2025, às 08h10   O uso de andaimes de bambu, uma técnica tradicional, agravou a propagação das chamas, levando a uma tragédia sem precedentes. - Reprodução internet   Dani Oliveira

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Uma tragédia sem precedentes recentes tomou conta de Tai Po, em Hong Kong, nesta quarta-feira (26). Um incêndio de grande escala atingiu um conjunto de sete torres residenciais de 31 andares, provocando destruição massiva e deixando ao menos 44 mortos e cerca de 300 moradores desaparecidos. O fogo avançou rapidamente, alimentado por explosões, fumaça tóxica e calor extremo.

O episódio marca o retorno de um incêndio de nível cinco — o mais grave da classificação local — após quase duas décadas sem registros semelhantes.

As equipes de emergência relatam uma das operações mais complexas dos últimos anos, com risco estrutural, queda de destroços e visibilidade praticamente nula em vários pontos do complexo.

Sete prédios atingidos e milhares de moradores afetados

O incêndio tomou proporções críticas em um conjunto residencial formado por quase 2 mil apartamentos, onde vivem mais de 4,6 mil pessoas. Entre as vítimas confirmadas está um bombeiro que trabalhava nas operações de resgate.

Um dos fatores que agravaram a situação foi o uso de andaimes de bambu, técnica tradicional em obras de Hong Kong.

A estrutura leve e altamente inflamável funcionou como combustível para a propagação das chamas. Os números impressionam: 

- 7 prédios atingidos
- 31 andares em cada torre
- 2 mil apartamentos no complexo
- 4,6 mil moradores afetados
- 44 mortos confirmados
- Quase 300 desaparecidos

A força do fogo obrigou equipes especializadas a atuar continuamente desde o início da manhã, com mais de 700 bombeiros deslocados para o local.

Crise habitacional agrava impacto da tragédia

O episódio reacendeu o debate sobre a crise de moradia que há anos preocupa autoridades e especialistas. Parte da população vive em residências extremamente pequenas, conhecidas como “apartamentos-caixão”, construções improvisadas que se tornaram um símbolo da desigualdade em Hong Kong.

Durante cobertura realizada em outubro, o correspondente Rodrigo Carvalho descreveu a sensação de visitar uma dessas unidades minúsculas: “Para muitas pessoas, isso aqui é uma casa. Não sou claustrofóbico, mas a sensação é horrível.”

Esses ambientes superlotados e inadequados colocam moradores em situação de risco elevado em casos de incêndio, desabamentos e outros acidentes urbanos.

Prisões e investigação em andamento

As autoridades locais já prenderam três pessoas suspeitas de envolvimento acidental no início do incêndio. A linha inicial de investigação sugere negligência em procedimentos de obra, mas especialistas alertam que fatores estruturais também serão analisados para determinar como o fogo se espalhou tão rapidamente.

Hong Kong vive tragédias agravadas pela habitação precária

O incêndio expõe fragilidades que há anos são denunciadas por urbanistas e movimentos sociais. O alto custo de vida empurra milhares de famílias para espaços improvisados, sem ventilação, sem rotas de fuga e com instalações elétricas precárias.

A combinação de superlotação, reformas constantes e estruturas antigas torna grandes complexos residenciais altamente vulneráveis.

Mesmo com padrões rigorosos de construção, Hong Kong enfrenta uma demanda habitacional muito superior à oferta, o que mantém milhões de pessoas em condições que ampliam o impacto de acidentes como o registrado em Tai Po.

Especialistas defendem políticas urgentes de habitação pública e revisão de normas de segurança, especialmente em obras que utilizam técnicas tradicionais como os andaimes de bambu.

Classificação Indicativa: Livre


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