Cidades
Publicado em 24/08/2026, às 06h34 Francielly Medeiros/Inter TV Cabugi Lavínia Manso
O Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel enfrenta desabastecimento de 189 itens e recebeu um alerta da Divisão de Farmácia sobre um cenário considerado de “extrema gravidade e vulnerabilidade assistencial”, conforme memorando encaminhado à Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) na última sexta-feira (21). A lista inclui materiais básicos, medicamentos essenciais e insumos utilizados em atendimentos de urgência, emergência e unidades de terapia intensiva.
Segundo o documento, 25% do catálogo de insumos da unidade está em desabastecimento total. Outros 11% dos produtos estão em nível crítico, com quantidade suficiente para menos de um mês de funcionamento. Apenas 64% dos itens, o equivalente a 482 produtos, apresentam estoque considerado regular, com previsão de duração superior a 30 dias.
Entre os materiais zerados estão luvas de procedimento, seringas, agulhas, esparadrapos e água destilada utilizada na diluição de medicamentos. A relação também inclui produtos indispensáveis para procedimentos de maior complexidade, o que aumenta a preocupação entre as equipes responsáveis pela assistência aos pacientes.
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A falta atinge medicamentos utilizados em situações graves, como a noradrenalina, empregada para controlar a pressão arterial de pacientes em estado crítico. Também aparecem na relação calmantes, analgésicos potentes, como a morfina, antibióticos injetáveis e soro fisiológico.
A situação também alcança procedimentos cirúrgicos de urgência e emergência. De acordo com o memorando, há estoque zerado de tubos utilizados para intubação, sondas para retirada de secreções pulmonares, drenos torácicos, agulhas para anestesia, bisturis e fios empregados no fechamento de cortes cirúrgicos.
Um dos exemplos apresentados pela Divisão de Farmácia é o consumo de luvas de procedimento tamanho M, que ultrapassa 126 mil unidades por mês. O documento aponta que 72% dos produtos classificados em nível crítico já possuem processos de aquisição em andamento.
A Divisão de Farmácia afirma que os problemas não decorrem de falta de atuação do setor e atribui o agravamento dos estoques a dificuldades na tramitação das compras. Entre os obstáculos citados estão prazos para liquidação, ausência de orçamento para empenho, descumprimento de prazos de entrega por fornecedores e demora em processos licitatórios e registros de preços.
O memorando relata que a demora na conclusão das aquisições tem provocado rupturas constantes no estoque. Com isso, a equipe responsável pelo abastecimento passou a lidar diariamente com situações emergenciais e com o controle de insumos básicos, enquanto recebe cobranças de profissionais das áreas médica, de enfermagem e demais setores assistenciais.
Apesar do alerta interno, a Sesap contesta a classificação de cenário crítico ou alarmante no Walfredo Gurgel e afirma que não existe risco imediato à assistência dos pacientes. Segundo a pasta, parte dos atrasos está relacionada a dificuldades com fornecedores e, na maioria das situações, não está ligada à falta de pagamento.
A Sesap informou que mantém negociações diárias com fornecedores para acelerar a chegada de produtos que estão com estoque reduzido. A pasta também afirma que empresas que descumprem contratos são notificadas e podem sofrer sanções, incluindo multas e impedimento de participar de licitações públicas.
Segundo a secretária Leidiane, alguns produtos permanecem em nível crítico porque fornecedores atrasaram entregas ou não cumpriram os prazos acordados. Ela afirmou que a prioridade do Estado é evitar a falta de itens considerados essenciais para o atendimento de pacientes graves.
Para reduzir os impactos, a gestão também tem realizado remanejamentos de materiais entre hospitais da própria rede e buscado empréstimos com unidades de outros estados. A estratégia é manter o atendimento enquanto novas atas de registro de preços e processos licitatórios são concluídos.
Na área financeira, a secretária informou que o custeio das compras passou, em 2026, a utilizar recursos federais obtidos após a revisão e ampliação do teto de Média e Alta Complexidade (MAC) destinado ao Rio Grande do Norte pelo Ministério da Saúde.
De acordo com a gestão estadual, a mudança permitiu manter os pagamentos de novos contratos em dia e reduzir de forma significativa os valores que ficaram pendentes do exercício anterior. A expectativa é que o atual mandato seja encerrado com a menor dívida já registrada pelo Walfredo Gurgel.
O Estado também projeta zerar os débitos com fornecedores, enquanto trabalha para regularizar os estoques e garantir o fornecimento dos materiais e medicamentos necessários ao funcionamento do principal hospital de urgência e emergência do Rio Grande do Norte.