☰
✕

Cidades

Governo manda retirar vídeos de IA que simulam médicos e espalham fake news sobre saúde

Governo alerta sobre riscos de automedicação e tratamentos sem comprovação científica em vídeos com avatares artificiais  |  Renato Menezes/AscomAGU

Publicado em 09/09/2026, às 08h54   Renato Menezes/AscomAGU   Lavínia Manso

A Advocacia-Geral da União (AGU) notificou o YouTube para retirar ou identificar vídeos produzidos com inteligência artificial que simulam médicos e outros profissionais de saúde para divulgar informações falsas. A medida, adotada em setembro de 2026, tem como base um levantamento do Ministério da Saúde que encontrou 97 perfis com esse tipo de conteúdo entre 1º de janeiro e 10 de julho, incluindo publicações com falsas promessas de cura e tratamentos sem comprovação científica.

Os conteúdos foram identificados pelo programa Saúde com Ciência e também encaminhados à Polícia Federal (PF) e ao Conselho Federal de Medicina (CFM). A notificação foi elaborada pela Procuradoria Nacional da União de Defesa da Democracia (PNDD), dentro de uma força-tarefa do governo federal.

Segundo o Ministério da Saúde, os vídeos usam avatares com aparência humana apresentados como médicos ou especialistas. Alguns personagens recebem qualificações profissionais fictícias e utilizam discursos alarmistas para criar uma falsa impressão de autoridade.

Parte dos perfis identificados tem como público principal pessoas idosas. Além de divulgar informações falsas, os personagens virtuais são utilizados para promover produtos, livros digitais e serviços vendidos pela internet.

Conteúdo pode colocar pacientes em risco

Entre os principais riscos apontados pelo governo estão a automedicação, o uso de terapias sem eficácia comprovada, a interrupção de tratamentos e o adiamento da procura por atendimento médico.

Na notificação enviada ao YouTube na sexta-feira (4), a Advocacia-Geral da União deu prazo de 72 horas para que a plataforma retire os conteúdos indicados pelo Ministério da Saúde. Quando a remoção não for possível, a empresa poderá utilizar mecanismos para identificar e contextualizar os materiais, informando que os personagens apresentados são artificiais.

A plataforma também deverá analisar outros canais e vídeos relacionados ao levantamento, considerando suas próprias regras para conteúdos de desinformação em saúde e materiais produzidos ou manipulados por inteligência artificial.

Para o governo, a aparência profissional atribuída aos personagens artificiais pode aumentar a confiança do público e facilitar a disseminação de informações capazes de prejudicar a saúde.

Governo também combate falsificação de vacinas

A atuação contra conteúdos considerados prejudiciais à saúde também chegou ao Telegram. A plataforma foi notificada após o Ministério da Saúde identificar 18 grupos e canais que comercializavam comprovantes e passaportes vacinais falsificados.

Após a denúncia, o aplicativo retirou os grupos e canais apontados e excluiu a conta de um usuário identificado durante a apuração. As evidências foram encaminhadas à Polícia Federal.

Segundo o levantamento, os responsáveis ofereciam documentos falsos e anunciavam serviços para adulterar registros nos sistemas oficiais de informação do Sistema Único de Saúde (SUS).

A prática pode comprometer a confiabilidade dos dados de vacinação e dificultar ações de vigilância epidemiológica. Para o Ministério da Saúde, documentos falsificados também podem esconder locais com baixa cobertura vacinal e prejudicar medidas de prevenção e controle de doenças.

Plataformas podem sofrer responsabilização

As notificações consideram parâmetros definidos pelo STF sobre a atuação das plataformas diante de conteúdos ilícitos publicados por terceiros. Essas regras foram incorporadas pelo Decreto nº 12.975/2026 aos deveres de provedores de aplicações de internet relacionados a conteúdos criminosos ou ilegais.

A Advocacia-Geral da União também apontou que os materiais identificados podem violar os próprios termos de uso das plataformas, que estabelecem restrições para conteúdos ilegais e permitem medidas como exclusão de publicações e suspensão de contas.

O Ministério da Saúde orienta a população a buscar informações sobre prevenção, diagnóstico e tratamento em fontes oficiais e reconhecidas. A recomendação também é para que usuários denunciem publicações que possam induzir outras pessoas a práticas capazes de colocar a saúde em risco.

Classificação Indicativa: Livre


TagsInteligência artificialAdvocacia-geral da uniãoDesinformação em saúde