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Gasolina muda a partir de agosto; veja como o aumento do etanol pode afetar o seu carro

A nova gasolina E32 promete reduzir a dependência de combustíveis importados e aumentar o uso de biocombustíveis no Brasil  |  José Cruz/Agência Brasil

Publicado em 15/07/2026, às 11h20   José Cruz/Agência Brasil   Lavínia Manso

Os motoristas brasileiros passarão a abastecer veículos com gasolina contendo 32% de etanol anidro, composição conhecida como E32. A mudança faz parte da política nacional de biocombustíveis, que busca reduzir a dependência da gasolina importada, ampliar o uso de combustíveis renováveis, diminuir as emissões de carbono e fortalecer a produção nacional de etanol.

Para a maioria dos proprietários de veículos modernos, no entanto, os impactos no dia a dia devem ser mínimos.

Os automóveis produzidos e homologados para o mercado brasileiro, principalmente os modelos flex e os lançados nos últimos anos, já foram desenvolvidos para operar com misturas elevadas de etanol. Por isso, a expectativa é que não haja alterações significativas no desempenho ou no funcionamento do motor.

Apesar da mudança na composição do combustível, especialistas apontam que o consumo pode aumentar de forma discreta, já que o etanol possui menor poder energético em comparação com a gasolina.

Veículos antigos exigem maior atenção

Enquanto os modelos mais recentes já utilizam componentes compatíveis com altos teores de etanol, veículos mais antigos ou importados sem adaptação ao combustível brasileiro podem exigir cuidados extras. Nesses casos, mangueiras, vedações e outras peças de borracha podem apresentar desgaste mais acelerado.

Nos motores modernos, o aumento da concentração de etanol não representa perda de potência. Pelo contrário, a maior octanagem do biocombustível favorece a combustão e permite que os sistemas eletrônicos ajustem automaticamente a ignição e a injeção de combustível. Em alguns motores turbo e de alta eficiência, esse comportamento pode até contribuir para um melhor rendimento.

A recomendação para os consumidores permanece a mesma, abastecer apenas em postos de confiança e manter a manutenção preventiva do veículo em dia para evitar problemas no sistema de alimentação.

Setor automotivo já se prepara para misturas ainda maiores

As montadoras chinesas que atuam no Brasil, como BYD, GWM, GAC e Omoda & Jaecoo, já desenvolveram veículos preparados para operar com concentrações superiores de etanol. A próxima etapa prevista pela legislação é a adoção da mistura E35, com 35% de etanol, embora ainda não exista uma data definida para sua implementação.

A possibilidade foi estabelecida pela Lei nº 14.993/2024, conhecida como Lei do Combustível do Futuro, que criou o marco regulatório para ampliar a participação dos biocombustíveis na matriz energética brasileira.

Além dos reflexos para os motoristas, o Governo Federal estima uma economia de cerca de R$ 450 milhões com a redução da importação de gasolina. A nova composição também deve diminuir as emissões líquidas de dióxido de carbono e fortalecer a cadeia sucroenergética, responsável por uma produção anual de aproximadamente 37,5 bilhões de litros de etanol no país.

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