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Publicado em 21/07/2026, às 11h54 Foto: Assecom RN Redação
Os desastres naturais provocaram um prejuízo estimado em R$ 10,9 bilhões ao Rio Grande do Norte ao longo dos últimos 34 anos. O impacto financeiro é resultado de milhares de ocorrências registradas entre 1991 e 2025 e engloba perdas para o setor público, iniciativa privada e danos à infraestrutura.
Os dados fazem parte de um levantamento do Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2iD), plataforma da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec).
O estudo revela que a seca e a estiagem foram, de longe, os fenômenos mais frequentes no estado, respondendo por mais de 80% dos registros no período analisado.
O levantamento aponta que os prejuízos acumulados estão distribuídos em diferentes segmentos da economia e dos serviços públicos.
Do total contabilizado:
→ R$ 7,15 bilhões correspondem a prejuízos privados;
→ R$ 2,57 bilhões foram registrados pelo poder público;
→ R$ 1,18 bilhão refere-se a danos materiais diretos.
Os impactos atingiram principalmente a infraestrutura urbana e os sistemas de abastecimento de água.
Infraestrutura foi uma das áreas mais afetadas
Os danos materiais somaram R$ 1,18 bilhão, dos quais R$ 737,91 milhões estão relacionados à infraestrutura, representando cerca de 62% desse total.
Entre os anos com maiores prejuízos aparecem:
→ 2014: R$ 284 milhões;
→ 2008: R$ 244 milhões;
→ 2023: R$ 146 milhões.
Os meses de abril e janeiro concentraram os maiores prejuízos materiais registrados ao longo da série histórica.
Abastecimento de água concentra prejuízo público
Entre os danos sofridos pelo poder público, o sistema de abastecimento de água aparece como o mais comprometido.
Dos R$ 2,57 bilhões registrados, R$ 2,29 bilhões estão ligados a esse setor, equivalente a quase 91% das perdas públicas.
Também foram contabilizados prejuízos de:
Estiagem domina o histórico de desastres
Ao todo, o Rio Grande do Norte registrou aproximadamente 2,69 mil protocolos relacionados a eventos climatológicos desde 1991.
Desse universo, 2,63 mil ocorrências tiveram relação com seca ou estiagem, fenômenos que representam 81,53% de todos os registros.
Considerados desastres de evolução lenta, esses eventos comprometem o abastecimento hídrico, reduzem a produção agrícola e provocam impactos econômicos prolongados.
Chuvas provocaram maior impacto sobre a população
Embora sejam menos frequentes, as chuvas intensas, enchentes e enxurradas foram responsáveis pelos maiores impactos imediatos sobre a população.
O pior cenário ocorreu em 2008, quando aproximadamente 33 mil pessoas ficaram desalojadas ou desabrigadas em decorrência das fortes chuvas registradas naquele ano.
No período analisado, o sistema contabilizou ainda:
→ 105,88 mil pessoas desalojadas ou desabrigadas;
→ 42,85 mil pessoas feridas ou enfermas.
Ranking dos desastres naturais
Além das secas e estiagens, o levantamento mostra que os principais eventos registrados no estado foram:
Levantamento registra 23 mortes
Os desastres naturais contabilizados entre 1991 e 2025 resultaram na morte de 23 pessoas no Rio Grande do Norte.
Os anos de 2004 e 2021 registraram o maior número de vítimas fatais da série histórica, com cinco óbitos em cada um deles.
Nordeste concentra maior número de municípios afetados
O panorama potiguar acompanha uma tendência observada em todo o Nordeste brasileiro.
Um estudo elaborado por pesquisadores do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), da Universidade de São Paulo (USP) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) analisou cerca de 60 mil registros de desastres relacionados ao excesso ou à falta de chuvas no Brasil entre 1991 e 2024.
A pesquisa concluiu que 91,5% dos municípios brasileiros enfrentaram ao menos um desastre ligado à água nesse período. O Nordeste foi a região com maior número de cidades atingidas, somando 1.765 municípios.
Pesquisadores alertam para possível subnotificação
Os autores do estudo destacam que as informações do S2iD são enviadas pelas próprias prefeituras, que utilizam esses registros para solicitar apoio financeiro e operacional do governo federal em situações de emergência.
Por esse motivo, os pesquisadores avaliam que parte dos impactos pode não ter sido oficialmente contabilizada, especialmente em municípios que enfrentaram dificuldades para registrar todas as perdas humanas e materiais decorrentes dos desastres climáticos.