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Publicado em 16/09/2026, às 06h08 Reprodução Lavínia Manso
O Brasil lançou nesta terça-feira (15) um foguete equipado com a Plataforma Suborbital de Microgravidade Recuperável (PSM-R), a partir do Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI), em Parnamirim, na Grande Natal. Desenvolvido para funcionar como um laboratório espacial, o equipamento foi enviado para realizar experimentos em condições de microgravidade e deverá retornar à Terra para que os materiais sejam recuperados e analisados.
A missão prevê que o foguete ultrapasse 100 quilômetros de altitude durante o voo suborbital. Após atingir o ponto mais alto da trajetória e concluir os experimentos, a plataforma iniciará o retorno à Terra, com um sistema desenvolvido para permitir sua recuperação no mar.
Caso a operação seja concluída com sucesso, o projeto poderá representar um marco para a pesquisa espacial brasileira. Será a primeira vez que experimentos realizados em uma plataforma brasileira durante um voo suborbital poderão ser recuperados posteriormente para análise. Atualmente, pesquisas nacionais desse tipo têm seus resultados obtidos principalmente por meio de telemetria, com dados transmitidos à distância.
A operação espacial teve início em 31 de agosto e tem previsão de encerramento em 19 de setembro. A iniciativa reúne esforços para ampliar a capacidade brasileira de realizar pesquisas em condições de microgravidade e desenvolver equipamentos nacionais para voos suborbitais.
Segundo a Agência Espacial Brasileira (AEB), a Plataforma Suborbital de Microgravidade Recuperável (PSM-R) foi projetada para transportar até 50 quilos de experimentos científicos. O foguete utilizado na missão tem aproximadamente nove metros de comprimento, medida equivalente à altura de um edifício de três andares.
O desenvolvimento do equipamento faz parte da estratégia de ampliar a infraestrutura espacial brasileira e reduzir a dependência de plataformas adquiridas de outros países. A expectativa é que a tecnologia possa ser utilizada em futuras missões suborbitais.
Seremos capazes de produzir nossa própria plataforma. É um avanço na direção de nossa autonomia em voos suborbitais”, afirmou o presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), Marco Antonio Chamon.
De acordo com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), uma missão bem-sucedida poderá ampliar as possibilidades de pesquisas em diferentes áreas. Entre elas estão o desenvolvimento de novos materiais, estudos de combustão, medicamentos, fluidos, biologia e agricultura espacial.
Durante o voo, a plataforma será submetida a condições de microgravidade e exposição à radiação, ambientes que não podem ser reproduzidos integralmente na superfície terrestre. Essas características permitem a realização de experimentos específicos em diferentes campos científicos.
Depois da conclusão dos testes, a PSM-R começará a descida. Inicialmente, o equipamento passará por uma etapa de queda livre. Em seguida, será acionado um paraquedas guia, responsável por diminuir a velocidade e preparar a abertura do paraquedas principal.
O sistema foi desenvolvido para que a plataforma possa chegar ao mar intacta. Um equipamento de GPS instalado na PSM-R emitirá sinais de rádio durante a descida e após a chegada à água, fornecendo informações sobre a localização.
A previsão é que equipes da Força Aérea Brasileira (FAB) façam a localização e a retirada da plataforma, com auxílio de um helicóptero. As coordenadas transmitidas pelo equipamento deverão orientar os profissionais durante a operação de busca.
Embora a região prevista para a queda seja definida antes do lançamento, fatores ambientais podem interferir na posição final da plataforma. Ventos e correntes marítimas podem fazer com que o equipamento atinja a superfície do mar em um ponto diferente do inicialmente calculado.
A recuperação dos experimentos é um dos principais objetivos da missão. Com o retorno físico dos materiais utilizados durante o voo, os pesquisadores poderão realizar análises posteriores que não seriam possíveis apenas com os dados transmitidos por telemetria.
Atualmente, o Brasil já utiliza plataformas que funcionam como laboratórios espaciais em missões suborbitais, mas esses equipamentos são adquiridos de outros países. A PSM-R busca mudar esse cenário com o desenvolvimento de uma solução nacional.
A iniciativa pretende criar condições para que o país desenvolva e utilize sua própria plataforma em lançamentos periódicos, ampliando a autonomia brasileira para realizar experimentos e recuperar pesquisas conduzidas em ambientes fora da atmosfera terrestre.