Cidades
Publicado em 03/02/2026, às 12h00 Reprodução/Instagram/@sergio_drone93 Redação
Um dos símbolos naturais mais antigos de Macaíba não resistiu ao tempo. O Baobá de Jundiaí, estimado em cerca de 200 anos, tombou no último domingo (1º) em área pertencente à Escola Agrícola de Jundiaí (EAJ/UFRN).
A fatalidade deixou moradores e frequentadores da região impactados pela perda de um marco histórico e ambiental.
A informação foi confirmada pela Prefeitura, que mobilizou equipes para a remoção dos galhos e a liberação do espaço por questões de segurança.
Intervenções anteriores e ação após a queda
Segundo a gestão municipal, a árvore havia passado por poda preventiva no ano passado, realizada pelo Corpo de Bombeiros Militar do Rio Grande do Norte a pedido da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb). A medida buscava reduzir riscos estruturais.
Após o tombamento, a Prefeitura informou:
“O que a Prefeitura está fazendo desde ontem (segunda-feira, 01) é cortar os galhos que caíram pra fazer a remoção do local”
As equipes seguem atuando na área para evitar riscos a quem circula pelo entorno.
Por que o baobá é tão simbólico
Originária do continente africano, a árvore é conhecida pela longevidade — podendo viver milhares de anos — e pelo forte valor histórico-cultural. No Rio Grande do Norte, os baobás são associados ao período colonial e à presença africana na formação do estado.
Além do valor ambiental, esses exemplares se tornaram referências afetivas para as cidades onde estão inseridos.
Lembrança recente em Natal
O caso em Macaíba ocorre menos de três meses após a queda do Baobá do Poeta, em Natal, árvore histórica que ficava em Lagoa Nova e também era reconhecida como patrimônio afetivo da capital. À época, a Defesa Civil de Natal determinou a remoção do que restou do exemplar após avaliação de risco.
A sequência de episódios reacende o debate sobre monitoramento, preservação e manejo de árvores históricas no estado.
A origem do baobá e como a árvore chegou ao brasil
O baobá pertence ao gênero Adansonia, sendo a espécie mais conhecida a Adansonia digitata, nativa das regiões áridas e semiáridas da África. É uma das árvores mais icônicas do planeta, reconhecida pelo tronco extremamente largo, capaz de armazenar milhares de litros de água para sobreviver a longos períodos de seca.
A espécie teria chegado ao Brasil ainda durante o período colonial, trazido por africanos escravizados. As sementes teriam sido transportadas em navios negreiros como forma de preservar vínculos culturais e também por suas utilidades alimentares e medicinais.
No Nordeste brasileiro, especialmente no Rio Grande do Norte, Pernambuco e Bahia, os exemplares remanescentes são considerados marcos vivos da presença africana na formação histórica e cultural da região.
Curiosidades sobre o baobá
• pode viver por milhares de anos
• o tronco funciona como reservatório natural de água
• frutos, folhas e cascas têm uso alimentar e medicinal na África
• é conhecido como “árvore da vida” em várias culturas africanas
• pode atingir mais de 20 metros de altura e 10 metros de diâmetro no tronco
• muitas comunidades africanas utilizam o baobá como ponto de encontro social
Além da imponência física, o baobá carrega forte simbolismo espiritual e comunitário. Em diversas aldeias africanas, é sob sua sombra que ocorrem reuniões, celebrações e decisões coletivas.
A presença desses exemplares no Brasil não é apenas botânica — é histórica, cultural e afetiva.