Cidades
Publicado em 29/06/2026, às 08h15 Divulgação/Corpo de Bombeiros Malu Machado
O governo brasileiro concluiu, neste domingo (28), a repatriação de 13 cidadãos brasileiros que estavam de passagem pela Venezuela e precisaram acionar a Embaixada do Brasil em Caracas em caráter emergencial.
Os brasileiros ficaram retidos no país vizinho após o fechamento completo do aeroporto comercial de Maiquetía, reflexo direto da série de fortes terremotos que castigaram a região. O grupo foi transportado em uma aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB) e desembarcou no Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro.
De acordo com o Itamaraty, a logística de resgate foi estratégica: o transporte dos passageiros foi realizado aproveitando o voo de uma aeronave militar que havia levado insumos de ajuda humanitária para a Venezuela e, originalmente, retornaria vazia ao território brasileiro.
Toda a ação está inserida no contexto da missão humanitária enviada pelo Brasil para apoiar as autoridades venezuelanas no enfrentamento da crise. Até o momento, o governo brasileiro já confirmou o envio de quatro voos de apoio à Venezuela, transportando:
Os profissionais brasileiros estão concentrados principalmente no município de Vargas, localizado no estado de La Guaira, apontado como uma das áreas mais castigadas pelos tremores. A coordenação dos trabalhos está sob a responsabilidade da Agência Brasileira de Cooperação (ABC), vinculada ao Ministério das Relações Exteriores.
O número oficial de mortes causadas pelos fortes terremotos subiu para 1.450, conforme informou neste domingo o presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Jorge Rodríguez. Apesar do cenário devastador, a rede de televisão estatal venezuelana informou que 33 pessoas foram retiradas com vida dos escombros pelas equipes de salvamento.
O balanço anterior indicava 1.430 vítimas fatais. Além disso, as Nações Unidas estimam um dado alarmante: cerca de 50.000 pessoas estão desaparecidas sob as estruturas colapsadas.
O balanço oficial aponta ainda 3.150 feridos e 774 prédios severamente danificados, sendo que 189 desabaram totalmente. Como a janela crítica de 48 a 72 horas após os sismos já passou, as chances de encontrar sobreviventes caem drasticamente.
O desastre começou na noite de quarta-feira (24), quando dois terremotos em sequência atingiram a porção norte da Venezuela. Os abalos registraram magnitudes impressionantes de 7,2 e 7,5 e ocorreram em um intervalo de menos de um minuto, com uma distância de apenas 5 quilômetros entre os epicentros, localizados próximos à cidade de El Guayabo (a 168 km de Caracas).
Especialistas apontam que a baixa profundidade dos dois abalos explica o rastro inédito de destruição, já que tremores mais próximos da superfície propagam ondas de energia muito mais destrutivas. Foi o pior abalo sísmico enfrentado pela Venezuela em mais de 100 anos.
Uma projeção da Organização Internacional para as Migrações (OIM), braço da ONU, estima que até 6,8 milhões de pessoas possam ter sido afetadas diretamente pela catástrofe, incluindo cerca de duas milhões de pessoas apenas na região metropolitana de Caracas. Cidades litorâneas do leste, como La Guaira, foram quase que totalmente destruídas.
Por conta dos danos, o Aeroporto Internacional Simón Bolívar segue fechado por tempo indeterminado, enquanto outros terminais menores, como o de Valencia, começam a ser reabertos.