Cidades
Publicado em 24/07/2026, às 06h38 Marcelo Camargo/Agência Brasil Lavínia Manso
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) alertou nesta terça-feira (21) sobre o aumento de golpes que utilizam inteligência artificial para criar vídeos, imagens e vozes falsas de médicos, celebridades e outras personalidades com o objetivo de vender medicamentos, suplementos alimentares e produtos de saúde irregulares nas redes sociais.
Segundo a agência, a tecnologia conhecida como deepfake é usada para dar credibilidade a anúncios fraudulentos e induzir consumidores a comprar produtos clandestinos ou falsificados.
A prática permite manipular imagens e vozes para simular declarações de pessoas reais. Criminosos também têm criado médicos fictícios por meio de inteligência artificial para recomendar supostos tratamentos milagrosos e produtos com resultados não comprovados.
O alerta ocorre em meio ao crescimento de anúncios fraudulentos relacionados à saúde. Uma pesquisa do Laboratório de Estudos de Internet e Redes Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (NetLab/UFRJ), realizada entre abril e maio de 2025, analisou cerca de 6,5 mil anúncios nas plataformas da Meta e identificou indícios de fraude em 76% das publicidades.
Entre as personalidades exploradas pelos golpistas estão o médico Drauzio Varella, a atriz Susana Vieira, a cantora Simone Mendes e o ex-presidente da Anvisa, Antônio Barra Torres. Os quatro aparecem entre os dez nomes mais utilizados em anúncios fraudulentos.
A atriz Fernanda Montenegro também denunciou o uso indevido de sua voz em anúncios de medicamentos que prometiam curar o Alzheimer, doença que atualmente não tem cura. A Meta anunciou, em fevereiro deste ano, ações judiciais contra pessoas e empresas que utilizam imagens de celebridades produzidas com deepfake para vender produtos em suas plataformas no Brasil e na China.
No caso dos suplementos alimentares, a legislação brasileira não permite promessas de cura, tratamento ou prevenção de doenças. A Anvisa também alerta para produtos clandestinos e falsificados, que não passaram por avaliação sanitária e podem comprometer tratamentos e colocar a saúde dos consumidores em risco.
A promessa de produtos “100% naturais” e sem efeitos colaterais também deve ser vista com cautela. Segundo a agência, até medicamentos fitoterápicos, obtidos a partir de plantas medicinais, podem causar problemas quando utilizados de forma inadequada e precisam estar regularizados.
Produtos anunciados como “químicos experimentais” ou destinados a “fins de pesquisa” também são motivo de alerta. De acordo com a Anvisa, essas expressões podem ser utilizadas para mascarar produtos irregulares e enganar consumidores.
A Anvisa recomenda que os consumidores confirmem a identidade e as credenciais de profissionais de saúde que aparecem em anúncios nas redes sociais. Nome e número de registro devem ser consultados no site do conselho profissional responsável.
A Resolução nº 2.336/2023, do Conselho Federal de Medicina (CFM), determina que médicos informem o número do registro profissional em publicações nas redes sociais. Quando houver especialização, também deve ser informado o Registro de Qualificação de Especialista (RQE).
A agência ressalta que medicamentos não podem ser vendidos diretamente pelas redes sociais ou por sites que não pertençam a farmácias regularmente autorizadas. A comercialização deve ocorrer em drogarias legalmente estabelecidas ou em seus respectivos sites oficiais.