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Publicado em 05/08/2026, às 13h49 Reprodução/Magnific Giovana Gurgel
Os acidentes de trânsito continuam impondo forte impacto à saúde pública no Rio Grande do Norte. Entre 5 de maio de 2025 e 17 de julho de 2026, a rede pública hospitalar registrou 22.478 atendimentos relacionados a ocorrências no trânsito, dos quais 6.891 resultaram em internações. Os dados fazem parte de um relatório elaborado pelo Laboratório de Inovação Tecnológica em Saúde da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (Lais/UFRN), divulgado nesta terça-feira (4), e revelam que os motociclistas representam quase dois terços das vítimas.
O levantamento mostra que aproximadamente três em cada dez pacientes precisaram permanecer internados após o acidente. Além disso, 843 pessoas necessitaram de atendimento em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), enquanto outras 1.873 voltaram a ser hospitalizadas após a alta, principalmente em razão de complicações cirúrgicas e novos procedimentos ortopédicos.
Segundo o estudo, a média diária foi de 51,2 vítimas atendidas nos hospitais públicos potiguares, o equivalente a mais de duas pessoas por hora. Para os pesquisadores, o elevado volume de ocorrências passou a exercer pressão permanente sobre a estrutura hospitalar do estado.
Os motociclistas concentraram 14.406 atendimentos, correspondendo a 64,09% de todos os casos registrados no período. Passageiros representaram 14,1% das vítimas, motoristas de outros veículos 10%, ciclistas 5,9% e pedestres 4,1%. Outros tipos de acidentes ou registros sem identificação somaram 1,9%.
O perfil predominante das vítimas é formado por homens jovens. Pessoas do sexo masculino responderam por 71,18% dos atendimentos, enquanto cerca de metade dos pacientes tinha entre 20 e 39 anos. A idade média das vítimas foi de 34 anos.
O relatório também chama atenção para a baixa utilização de equipamentos de proteção individual. Em 34,02% dos atendimentos não havia registro do uso de qualquer equipamento de segurança. O capacete apareceu em apenas 50,49% dos casos, fator que, segundo os pesquisadores, aumenta significativamente o risco de traumatismos graves entre motociclistas.
Embora os motociclistas sejam maioria entre as vítimas, os pedestres registraram a maior taxa proporcional de mortalidade. A letalidade nesse grupo chegou a 3,51%, quase cinco vezes superior à observada entre motociclistas, cuja taxa foi de 0,72%.
Entre os pedestres atendidos, 35,57% precisaram ser internados e 4,61% passaram por leitos de UTI. O estudo aponta que a ausência de qualquer proteção física torna esse grupo o mais vulnerável em colisões.
Além das internações, foram contabilizadas 1.756 transferências entre unidades hospitalares, indicando dificuldades da rede em absorver pacientes de alta complexidade. Outros 174 casos exigiram a utilização de órteses, próteses e materiais especiais, principalmente em cirurgias ortopédicas.
Os domingos concentraram a maior média de atendimentos, com 67,68 vítimas por dia, seguidos pelos sábados, com média de 60,18. Juntos, os fins de semana responderam por cerca de 35% das ocorrências registradas no período analisado.
O relatório também identificou aumento expressivo dos acidentes em épocas festivas. Junho apresentou a maior média diária de atendimentos, impulsionada pelas festas juninas no interior do estado. Já dezembro registrou o maior volume absoluto de casos, com 1.846 atendimentos, reflexo do aumento da circulação de veículos durante as férias e as comemorações de fim de ano.
Os pesquisadores defendem que essas informações sejam utilizadas para reforçar escalas de profissionais, estoques de sangue, medicamentos e materiais cirúrgicos nos períodos de maior demanda, ampliando a capacidade de resposta da rede pública.
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As despesas hospitalares registradas no período ultrapassaram R$ 6,3 milhões. O custo mediano por atendimento foi de R$ 131,54, mas os casos mais graves elevaram significativamente esse valor. Os 10% de procedimentos mais caros superaram R$ 736,43 por paciente, e um único atendimento atingiu R$ 10.525,21. Os valores correspondem aos procedimentos faturados ao Sistema Único de Saúde (SUS), sem incluir gastos indiretos, como afastamentos do trabalho, reabilitação prolongada e perdas econômicas.
A maior parte da assistência ficou concentrada em três unidades hospitalares. O Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, em Natal, respondeu por 56,17% dos atendimentos estaduais. O Hospital Regional Tarcísio Maia, em Mossoró, concentrou 33,13% dos casos, enquanto o Hospital Regional Cleodon Carlos de Andrade, em Pau dos Ferros, recebeu 9,04% das vítimas.
O levantamento ainda mostra que Natal funciona como polo regional de atendimento. Embora tenha registrado 5.488 ocorrências, apenas 4.744 vítimas eram residentes da capital. Já Parnamirim apresentou situação inversa, com mais moradores envolvidos em acidentes do que ocorrências registradas no município, indicando que muitos acidentes acontecem durante os deslocamentos diários em direção à capital.
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